Análise: Primeiro o raio x da pobreza, depois as ações

Sob sigilo, governo discute programa 'Brasil sem Miséria', que deve reciclar programas sociais já em andamento, como o Água para Todos

03 de maio de 2011 | 23h00

A opção do governo por definir como miseráveis os brasileiros com renda até R$ 70 mensais por integrante da família deixou a extrema pobreza no País do tamanho que o problema possa ser enfrentado como prioridade nos quatro anos de mandato da presidente Dilma Rousseff.

 

Atualmente, órgãos do governo já trabalham com diferentes linhas de pobreza, que resultam num número maior ou menor de miseráveis. Antes da divulgação dos primeiros dados do Censo 2010, o número de extremamente pobres podia variar em mais de 12 milhões de pessoas, dependendo da fórmula de cálculo.

 

A contabilidade adotada internacionalmente pelo Banco Mundial chegaria ao menor número de miseráveis, considerados aqueles que ganham US$ 1,25 por dia ou cerca de R$ 60 por mês, neste momento de real valorizado.

 

Se o governo considerasse no plano "Brasil sem Miséria" a contabilidade de extremamente pobres feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), baseada em valores de renda diferentes para cada região do País, o número de miseráveis ficaria em pouco menos de 14 milhões de pessoas.

 

O critério de miséria usado em programas oficiais como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e deficientes com renda até a quarta parte do salário mínimo, elevaria o número brasileiros extremamente pobres a mais de 20 milhões.

 

Nesta terça-feira, 3, a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, chamou a atenção para que a linha de pobreza adotada para o "Brasil sem Miséria" serve apenas para uma política social de "caráter extraordinário", que deve deixar de existir ao final da gestão Dilma Rousseff, e que não pode ser confundida com outras políticas sociais do governo.

 

Quantificada a extrema pobreza, faltam as medidas para combatê-la. O "Brasil sem Miséria" vem sendo discutido sob sigilo. Seu anúncio será feito pela própria presidente. O plano incluirá a reciclagem de programas já anunciados, como o Água para Todos.

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