ANÁLISE: Pressionada pelas ruas, presidente, agora, escuta todos

Depois de dois anos e meio como presidente, Dilma Rousseff apresentou nesta segunda-feira o que pode ter sido a mais importante mudança no seu estilo de governar. Criticada por centralizar as decisões de governo e proporcionar pouco espaço para conversas com ministros e aliados do Congresso, ela ontem abriu o Palácio do Planalto e seus ouvidos para escutar, literalmente, dezenas de opiniões sobre os problemas do País.

Marcelo de Moraes ,

24 Junho 2013 | 22h43

Ao longo do dia, sua sala de reuniões recebeu desde os jovens integrantes do Movimento do Passe Livre, num símbolo da abertura do diálogo com as ruas, até governadores, prefeitos de capitais e ministros de Estado. Dilma propôs até um polêmico plebiscito para ouvir a população sobre a necessidade de se fazer a reforma política – suscitando críticas de parte do Congresso e de ministros e ex-ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O cavalo de pau dado ontem por Dilma foi fruto da necessidade política. Pressionada pela força das manifestações populares que tomaram conta do País e deixaram sem rumo os políticos, Dilma abriu mão de seu estilo centralizador em troca da possibilidade de um acordo com a sociedade. O objetivo é claro: conter a insatisfação popular que vem atirando para todos lados e não poupa ninguém, incluindo ela.

As manifestações fizeram o jogo sucessório embaralhar completamente e ameaçam a enorme vantagem que Dilma tinha nas pesquisas de intenção de voto para 2014. Daí, a necessidade que a presidente viu de reassumir o controle das ações políticas, compartilhando a responsabilidade pelos próximos rumos a tomar. A proposta de apresentar cinco pactos para governadores e prefeitos faz parte dessa estratégia de ouvir e depois dividir as decisões.

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