ANÁLISE: Por trás do debate verde, a sombra do prefeito paulistano

Movimentos de Gilberto Kassab para criação de novo partido evidenciou apoio do PV

Roldão Arruda, de O Estado de S. Paulo

22 de março de 2011 | 23h00

Curiosamente, por trás do debate interno do PV paira a sombra dos movimentos feitos pelo prefeito Gilberto Kassab para a criação de um novo partido. Para entender como isso ocorre, é bom lembrar que o presidente nacional do PV, José Luiz Penna, tem sido um constante e entusiasmado aliado político do prefeito.

 

Um dos efeitos desse bom relacionamento é o fato de o atual líder do governo municipal na Câmara dos Vereadores, José Roberto Tripoli, ser filiado ao PV. Outro efeito visível: o secretário municipal de Meio Ambiente, Eduardo Jorge, também é verde. Um terceiro: o lançamento do PSD de Kassab, na segunda-feira, contou com a presença de representantes verdes.

 

A fidelidade de Penna é ampla. Até recentemente ele vinha demonstrando, em conversas particulares, entusiasmo com a atuação do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), apontando-o como uma das revelações mais importantes da política nacional nos últimos anos, talvez até mais relevante que Marina Silva. Parecia apostar na possibilidade de fusão entre o partido de Kassab e o PSB de Campos, que acabou esfriando.

 

Já está em jogo também a eleição municipal de 2012. O candidato de Kassab é o secretário Eduardo Jorge, ex-petista e amigo do ex-governador José Serra. Ele também deve ser o candidato de Penna e de setores mais tradicionais do partido em São Paulo, como o ex-deputado e ex-candidato a governador Fábio Feldman. Mas não é, certamente, o candidato do grupo mais próximo de Marina Silva.

 

Embora tenha se destacado pela dedicação demonstrada na campanha eleitoral de Marina Silva no ano passado, Jorge deu, sinais nas últimas semanas, de que deve se distanciar dela. Na reunião da direção nacional, na hora se votar pela permanência ou não de Penna no cargo de presidente, ele se absteve.

 

No fundo, o que parece estar em discussão é o papel do partido no futuro. No ano passado, a equipe da campanha de Marina enfrentou enorme dificuldade para lançar candidaturas própria nos Estados. Na maioria das vezes enfrentava a resistência de líderes que seguem a tradição de se subordinar aos partidos maiores, negociando cargos em troca de minutos na TV.

 

Após o sucesso de sua candidatura, com quase 20 milhões de votos, Marina e seu grupo acreditam que o partido pode dar um salto, organizar melhor sua base e sonhar em se apresentar no cenário político nacional como a almejada terceira via.

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