ANÁLISE: Por reformas, objetivo é manter apoio congressual

Com a escolha do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) para o Ministério da Justiça, governo agiu para compensar o PMDB que se mostrava desconfortável com a ampliação do espaço do PSDB

Marco Antonio Teixeira, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2017 | 00h07

A escolha do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) para o Ministério da Justiça confirma a prioridade de Michel Temer em manter, a qualquer custo, o tamanho de sua base de apoio no Congresso, para com isso encaminhar reformas como as da Previdência e trabalhista que exigem quóruns elevados para suas respectivas aprovações.

Parecendo não mais se importar com incômodo índice de 62,4% de reprovação popular na última pesquisa CNT/MDA, o governo agiu para compensar o PMDB que se mostrava desconfortável com a ampliação do espaço do PSDB.

Se a Lava Jato não agir como fator de instabilidade, o governo deverá aprovar as reformas que pretende graças à forte coalizão montada com base na acomodação de nomes indicados pelos partidos aliados. A escolha de Serraglio, apesar de sua trajetória e formação na área do Direito, é inoportuna por seu suposto vinculo com o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A nomeação do novo ministro, a concessão de foro privilegiado a Moreira Franco e a indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo no contexto em que se deu parecem compor um ciclo em que o fim é manter o apoio congressual. 

Todavia, ao desconsiderar o peso da opinião pública, o consórcio PMDB-PSDB corre o risco de enterrar suas possibilidades de fazer o sucessor de Temer, como indicam recentes pesquisas de intenção de voto. Um segundo turno entre Lula e Bolsonaro seria uma tragédia do ponto de vista da qualidade do debate público, mas não é algo que se possa descartar quando a imagem do governo e dos partidos que o sustentam dão sinais evidentes de deterioração.

*É CIENTISTA POLÍTICO E VICE-COORDENADOR DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DA FGV-EAESP

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