Análise: PMDB agora sonha com chegada de Serra à Presidência

Governador Geraldo Alckmin se fortaleceu nacionalmente com a vitória de João Doria no primeiro turno. E se tornou o nome mais forte para disputar a sucessão de Michel Temer em 2018

João Domingos, O Estado de S. Paulo

02 de outubro de 2016 | 23h47

Que o PT foi o grande perdedor das eleições municipais é indiscutível. A derrota já era esperada em razão da rejeição ao partido após os escândalos de corrupção e a tragédia que foi o governo de Dilma Rousseff. O tamanho da surra é que foi um pouco maior do que se imaginava. Chama a atenção também o quanto o governador Geraldo Alckmin se fortaleceu nacionalmente com a vitória de João Doria no primeiro turno. E se tornou, por isso mesmo, o nome mais forte para disputar a sucessão de Michel Temer em 2018. 

Alckmin se fortaleceu não só porque bancou a candidatura de Doria, enfrentando a resistência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do presidente do partido, Aécio Neves, e do ministro José Serra. O governador se fortaleceu porque conseguiu sustentar a impressionante votação que São Paulo descarregou em Aécio na disputa contra Dilma, em 2014: 15,3 milhões contra 8,4 milhões. 

O fortalecimento de Alckmin para disputar a sucessão de Temer pode causar algum tipo de crise dentro do PSDB, o que não será novidade. As alas lideradas pelo governador, por Aécio e por Serra já vinham travando disputas internas. 

De olho no resultado da briga, o PMDB não nega que sonha com a possibilidade de Serra deixar o PSDB e entrar para suas fileiras, tornando-se candidato do partido à sucessão de Temer. Aécio se considera no direito de disputar a eleição para presidente e deverá lutar pelo controle do partido. No momento, porém, quem tem a força é Alckmin. 

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