ANÁLISE: Pleito será prévia de Bolsonaro X Doria

A próxima eleição municipal estará repleta de temas mais nacionais do que propriamente os locais

Rodrigo Prando*, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2019 | 05h06

O desafeto que há pouco separava Joice Hasselmann e Major Olimpio foi substituído por uma estratégica aproximação com vistas às próximas eleições. Para Joice, as eleições municipais em 2020; para Olimpio, uma candidatura ao governo de São Paulo em 2022. O País vai às urnas de dois em dois anos e isso é positivo. No tabuleiro da política, significa que as peças permanecem em constante mudança: alianças, análises de viabilidade eleitoral e leitura do cenário nacional e municipal não cessam.

Sob a égide de Bolsonaro, Olimpio faz a indicação de Joice como pré-candidata à Prefeitura paulistana e isso movimentará Bruno Covas, que buscará a reeleição, e Doria objetivando que o PSDB não perca gigantesco orçamento municipal e espaço de projeção política garantido.

Joice desempenha importante papel de líder do governo no Congresso, mas será neófita numa disputa para o Executivo e, obviamente, será provocada por adversários acerca de sua intimidade com problemas municipais e, ainda, do saldo das ações do governo Bolsonaro, do qual é dileta representante.

Além de Covas, com a caneta e orçamento para inaugurar obras, haverá, provavelmente, a presença de Márcio França, que chegou ao segundo turno com Doria e terá recall.

Em síntese, as eleições municipais, no Brasil, serão um teste para aferir a força de Bolsonaro e do PSL e, no caso, São Paulo será uma prévia de uma disputa que se desenha para 2022: Bolsonaro X Doria. A próxima eleição municipal estará repleta de temas mais nacionais do que propriamente os locais.

* PROFESSOR E PESQUISADOR DA MACKENZIE

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