ANÁLISE: Planalto teme que escândalo influa em votos de ministros

Governo tinha antes a certeza de um placar favorável de, pelo menos 5x2

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2017 | 03h00

Com a delação dos executivos da JBS ainda ecoando por todos os cantos, é impossível acreditar que uma blindagem jurídica protege completamente o julgamento do pedido de cassação da chapa formada por Dilma Rousseff e Michel Temer. Por mais técnica que seja a discussão, o peso das acusações contra Temer impede o Planalto de ter tranquilidade em relação ao desfecho do julgamento.

Segundo um aliado próximo do presidente, antes da revelação das conversas suspeitas de Temer com Joesley Batista, a vitória no processo era considerada tranquila. O cálculo era de um triunfo por um placar de, pelo menos 5 a 2. Agora, essa certeza não existe mais.

Tecnicamente, nada aconteceu de novo em relação ao processo da cassação. A delação da JBS não faz parte do caso e não pode ser levada em conta no julgamento. Mas, para a opinião pública, isso pouco importa. Para ela, caberá aos ministros do tribunal o peso de inocentar ou não o presidente Temer. E é com esse dado subjetivo que hoje mais se preocupa o Planalto.

Por causa disso, Temer deflagrou nos últimos dias uma estratégia de reação, na qual se diz vítima de uma perseguição política da parte da Procuradoria-Geral da República, com o aval do ministro relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. Com isso, tenta reduzir o tamanho do estrago que sua reputação sofreu.

Mais: quer que isso ajude a dar argumentos para que os ministros possam votar a favor de sua absolvição, descolando, de fato, o julgamento da chapa Dilma-Temer das delações da JBS.

Por mais que ainda caiba recurso, uma derrota de Temer no TSE praticamente colocará um ponto final no seu governo. Mesmo recorrendo, no minuto seguinte a sua condenação, começará a discussão do processo sucessório, seja de forma indireta ou direta. E a situação é tão complicada que, mesmo que seja absolvido, o presidente não tem a garantia de que sobreviverá aos desdobramentos da gigantesca crise.

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