Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Análise: Operação será determinante para futuro de Dilma e de Cunha

Novelas do impeachment e da cassação do presidente da Câmara terão novos e mais dramáticos capítulos a partir de hoje

Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2015 | 13h03

Os efeitos da operação da Polícia Federal desta terça-feira, 15, na Câmara dos Deputados e em imóveis de líderes do PMDB serão determinantes para as duas novelas em curso neste momento em Brasília: o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a cassação do mandato de Eduardo Cunha. O efeito direto e imediato é deixar as tramas ainda mais tensas.

Todos os atores destes novos capítulos estão relacionados direta ou indiretamente ao desenrolar do pedido de impeachment que, por sua vez, tem ligação umbilical com a cassação de Cunha. A reação do PMDB à operação pode explodir de vez o sempre fragmentado partido do vice Michel Temer ou uní-lo em torno da deposição de Dilma e da preservação de Cunha.

Como gostam de dizer os peemedebistas, praticamente todas as alas do PMDB estão "devidamente" representadas entre os alvos da operação. De Edison Lobão (MA), eterno aliado dos Sarney, a Sérgio Machado, leal correligionário de Renan Calheiros (AL), o partido foi atingido pela ação. Sem falar de Cunha (RJ), o mais visado, até onde é possível antever, pela ação de hoje. Por enquanto, apenas a ala do PMDB-RJ ligada a Eduardo Paes, Luiz Fernando Pezão e Sérgio Cabral está de alguma forma preservada.

Se a ação uniro  neo-governista Renan Calheiros a Cunha e a Temer, ficará ainda mais difícil a situação de Dilma. Na outra ponta do raciocínio, se os efeitos da operação forem isolar ainda mais Cunha e jogar na lama o nome do PMDB, a tendência é Dilma se fortalecer.

A partir de agora, a novelas deverão ganhar ainda mais em dramaticidade. Porém, serão capítulos marcados por jogos de luz (o campo das operações policiais e da retórica dos políticos) e de sombras (os bastidores dos gabinetes e de seus conchavos), com os atores movendo-se no limiar entre ambos. É impossível negar que os líderes do PMDB dominam como poucos as técnicas dessa arte. 

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