Análise: Olho para propinas, mas não para arte

O ex-diretor da Petrobrás Renato Duque não usa bem o dinheiro para comprar obras de arte. Com exceção de uma tela de Miró encontrada pela Polícia Federal em seu apartamento - que, se for autêntica, deve oscilar entre US$ 4 milhões e US$ 5 milhões - não se tem notícia de obras-primas no acervo suspeito de ser adquirido pela propina.

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

19 de março de 2015 | 05h33

Há, claro, artistas importantes para o modernismo brasileiro, como o carioca Guignard (1896-1962), mas as obras do pintor em poder de Duque não são das melhores: uma paisagem pouco inspirada de Ouro Preto e um Cristo sem muita expressão. Também há uma tela de Djanira, um desenho de Milton Dacosta - o da sua pior fase, quando troca o construtivismo, nos anos 1960, por vênus gordinhas - e gravuras de Carybé, Roberto Magalhães e Gerchman que estão longe de alcançar altas cifras no mercado.

Parece que os investigados na Lava Jato não levam jeito para colecionadores. Antes, a PF havia apreendido telas de Romero Brito, o que, no mínimo, revela que corruptos podem ter olho para notas de dólar, mas não entendem de arte.

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