ANÁLISE: O subproduto da crise do PMDB nacional

O PMDB no Rio de Janeiro sempre contou com uma extensa máquina política. O partido predomina no Estado desde o começo dos anos 1970 a partir da liderança exercida por Chagas Freitas. Ele governou a Guanabara entre 1971 e 1975 e o Rio de Janeiro entre 1979 e 1983. Era um político que representava o centro em uma cidade polarizada entre lacerdistas e brizolistas. Ele utilizou amplamente de recursos de patronagem e clientelismo para consolidar o partido no interior do Estado e a sua própria hegemonia dentro dele.

José Paulo Martins Júnior, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2016 | 06h00

Essa primazia conquistada há mais de 40 anos parece agora desmoronar. O governador Pezão tenta conduzir o Estado em meio a uma grave crise econômica, política e social; Cunha e Cabral estão presos; Paes foi derrotado na eleição municipal e alguns quadros importantes, como os da família Picciani e Moreira Franco, aparecem de forma suspeita em diversas denúncias e delações.

Líderes do PMDB correm aos microfones para defender a tese de que a crise no Rio não vai afetar o partido em plano nacional. Isso é não é verdade. A despeito de o partido ser descentralizado, de seus caciques possuírem foro privilegiado e contarem com a notória morosidade do Supremo Tribunal Federal para continuarem em liberdade, o que ocorre no Rio é um subproduto da crise do PMDB em nível nacional. 

A pressão sobre o PMDB nacional vai continuar porque as suas principais lideranças também estão envolvidas em denúncias de corrupção e de obstrução da Justiça. Isso não está ocorrendo apenas com o PMDB. Os três grandes partidos da Nova República brasileira, PMDB, PSDB e PT, vêm sendo afetados pela mais grave crise já vivida pelo sistema partidário. 

Crises podem ser muito boas para a sociedade. O que devemos esperar é que a Justiça seja feita sem viés partidário. Todos os homens públicos devem responder por seus atos, inclusive e principalmente as autoridades governamentais no Executivo, Legislativo e Judiciário em âmbito nacional, estadual e municipal.

*COORDENADOR DO BACHARELADO EM CIÊNCIA POLÍTICA DA UNIRIO

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