FELIPE RAU/ESTADÃO
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ANÁLISE: O ex-presidente do STF e seus trunfos

Não há na atuação de Barbosa qualquer conotação partidária, como justa ou injustamente alguns atribuem a Sérgio Moro, em relação ao PSDB

Fernando Dantas, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2018 | 05h00

Joaquim Barbosa despontou como a estrela da última pesquisa Datafolha, indo para quase 10% das intenções de voto sem ter mexido um dedo no sentido de fazer campanha ou aumentar sua exposição ao público (como Henrique Meirelles vem se empenhando em fazer, sem qualquer sinal de que o esforço esteja se transformando em intenções de voto).

Barbosa tem qualidades evidentes como candidato. Em primeiro, encarna a busca do eleitorado por um presidente que não apenas seja honesto, mas que também traga na alma a chama do combate à corrupção.

É interessante notar que o ex-ministro do Supremo já disse que votou no PT em eleições passadas, pois concordava com o viés social do partido. Dessa forma, sua atuação no mensalão, quando agiu com grande severidade contra várias das lideranças petistas, o que lhe valeu o ódio de segmentos da esquerda, é particularmente republicana – não há na atuação de Barbosa qualquer conotação partidária, como justa ou injustamente alguns atribuem a Sérgio Moro, em relação ao PSDB.

Outro trunfo de Barbosa deriva da mesma inclinação política já mencionada acima. Ao contrário de tantos próceres do combate à corrupção no Brasil de hoje, ele não passa a imagem da indignação “udenista”, elitista, seletiva e de direita, contra representantes das classes populares.

E essa característica, naturalmente, é reforçada pelo fato de o ex-ministro do Supremo ser negro, assim, tem-se de novo uma imagem emblemática poderosa – como a de Lula, com sua biografia da pobreza nordestina à Presidência –, relativa a uma questão identitária fundamental na sociedade brasileira contemporânea.

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