Dida Sampaio/ Estadão
Dida Sampaio/ Estadão

Análise: O alívio dos educadores com a saída de Weintraub do MEC

Marca que ministro deixa no ministério está longe de ter qualquer ligação com ensino, escola e professor

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2020 | 19h22

Educadores se sentem aliviados em usar a partir de agora o verbo no passado ao falar de Abraham Weintraub no Ministério da Educação (MEC). Ele foi ministro. E a marca que ele deixou em 1 ano e dois meses está longe de ter qualquer ligação com ensino, escola, professor. Sabe-se de tudo o que Weintraub fez nas redes sociais, em ataques primeiro às universidades e depois ao Supremo, em disparates quase inacreditáveis que viam um comunista em cada sala de aula do Brasil.

Mas Weintraub deixou de fazer muito também. Weintraub não fez nada para que o Fundeb, o fundo responsável por financiar a educação no País e que ajuda principalmente redes mais pobres, pudesse continuar a existir no ano que vem. Deixou tudo por conta dos deputados, que se desdobraram antes da pandemia para ter uma proposta e agora penam para que o assunto volte à pauta com tantas desgraças. Sem Fundeb, o País pode agora aumentar mais ainda suas desigualdades em 2021.

Weintraub ignorou secretários de educação pelo País e fez com que trabalhassem sozinhos para tentar melhorar o ensino na escola pública. Deixou até de repassar recursos para programas que já existiam e só precisavam não ser atrapalhados, como os de ensino integral, construção de creches e alfabetização. O ex-ministro nunca sequer mencionou a Base Nacional Comum Curricular, documento inédito aprovado em 2017, que finalmente ajuda as escolas a entender o que elas tem que ensinar. Qualquer país com uma política de educação razoável tem um documento como esse.

E então veio a pandemia, e Weintraub também não fez. Não criou qualquer plano para combate à pandemia que atacou em cheio a educação brasileira. Não deu qualquer orientação sobre como as escolas deveriam conduzir o ensino a distância, não tentou conseguir dados patrocinados para que os alunos mais pobres pudessem continuar a estudar em seus celulares, não se preocupou em formar professores para a tecnologia essencial nesse momento de aulas com distanciamento. Não fez nada.

Weintraub sai para o Banco Mundial deixando em seu currículo um programa de ensino militar que atingiu 0,15% das escolas do País. Esse foi seu legado como ministro da Educação. O resto do que é Weintraub, todo mundo está cansado de saber.

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