REUTERS/Adriano Machado
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Análise: No 1º ano de Bolsonaro como presidente, estilo foi o de confrontar

As festas e o ano vindouro deverão ser tensas no clã Bolsonaro

Rodrigo Augusto Prando*, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2019 | 05h00

O ano do presidente Jair Bolsonaro não terminará como ele gostaria. No Brasil, é conhecido o presidencialismo de coalizão, passamos pelo presidencialismo de cooptação e chegamos ao presidencialismo de confrontação. O estilo de Bolsonaro foi o de confrontar: adversários, reais ou imaginários, e até aliados. 

Em que pese a lenta e gradual recuperação da economia, o governo manteve um discurso beligerante e, por isso, tensionou os atores políticos, instituições e a sociedade. 

Tirando Guedes, ninguém no núcleo do poder bolsonarista teve vida fácil e isso faz parte da forma de chefiar, e não de liderar, de Bolsonaro. Não faz muito, em tensa entrevista o presidente atacou a imprensa e com níveis de insinuações, ironias e palavras distantes da esperada liturgia do cargo. Isso desnuda o incômodo com o caso Flávio Bolsonaro

Como pode o presidente modular o discurso de combate à corrupção com as complicações que rondam o “01”? Ora afirmou que não tinha problemas, para, na sequência, atacar MP do Rio, juiz do caso, governador Witzel e jornalistas. Sobrou até para Moro

As festas e o ano vindouro deverão ser tensas no clã Bolsonaro. Com escusas a Fernando Pessoa, a síntese do ano político foi: confrontar é preciso, governar não é preciso.

*DOUTOR EM SOCIOLOGIA E PROFESSOR DO MACKENZIE

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