ANÁLISE: Não há como ignorar implicações políticas

Aécio Neves se tornou réu no STF e PSDB tenta se afastar do senador

Marco Antonio Carvalho Teixeira*, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2018 | 05h00

Três anos e meio após ter obtido cerca de 51 milhões de votos e afirmado que havia perdido a eleição presidencial para uma “organização criminosa”, Aécio Neves virou réu por crimes de corrupção passiva e de obstrução da Justiça após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal votar o parecer sobre a denúncia enviada pela Procuradoria-Geral da República. Nesse mesmo momento, o STF também validou as provas obtidas no âmbito da controversa delação da JBS, o que pode implicar uma maior extensão do alcance dessas investigações para além das hostes tucanas das alterosas.

Todavia, de imediato, não há como ignorar prováveis implicações políticas que essa decisão pode ter para as eleições que se avizinham. Destaco duas.

A primeira se refere à eleição ao governo de Minas Gerais. O PSDB mineiro tenta vencer o PT e retomar o governo estadual com a candidatura do atual senador Antonio Anastasia, ex-governador e figura pública fortemente vinculada a Aécio. Mas, como decorrência de 2014 e do processo de impeachment, e com Dilma Rousseff candidata ao Senado, a campanha pode se transformar numa batalha entre petistas e tucanos, o que poderá abrir espaço para uma alternativa aos dois partidos. O discurso contra a corrupção que vem movendo Aécio contra o PT desde 2014 poderá se voltar contra ele e seu grupo.

A segunda implicação tem a ver com a eleição presidencial e tende a representar um fator de preocupação para o PSDB. São Paulo e Minas Gerais são colégios eleitorais em que os tucanos esperavam abrir vantagem de votos sobre os seus concorrentes, o que compensaria a baixa presença eleitoral do partido em outros Estados.

Em baixa em São Paulo e agora com a ampliação do desgaste da principal liderança tucana em Minas, a presença de Alckmin no segundo turno, caso se confirme uma baixa votação nesses dois Estados, tende a ser duvidosa. Nunca antes na história da recente democracia brasileira uma eleição esteve tão perto e ao mesmo tempo tão distante como a de 2018. Tão incerta quanto aos candidatos e tão cheia de incertezas acerca do potencial de cada um deles e sujeita a fatos que fogem ao controle das variáveis da disputa política.

*PROFESSOR DE CIÊNCIA POLÍTICA E COORDENADOR DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DA FGVSP

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