AFP PHOTO / DOUGLAS MAGNO
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ANÁLISE: Não existe liderança para reformas profundas

Avançar na reforma tributária demanda conciliar a heterogeneidade das percepções, a lógica federativa, o ano eleitoral e as diferentes necessidades da sociedade

Humberto Dantas*, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2018 | 05h00

Em nosso recente histórico parlamentar, os desafios complexos de transformação têm se traduzido em grandes aberrações. Se é assim no campo previdenciário e político, não será diferente na “reforma tributária”, sobretudo se feita de afogadilho para agradar insatisfeitos.

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No Brasil de hoje, poucas lideranças são capazes de propor mudanças de impacto condizentes com o necessário. Os políticos são covardes, fragilmente influenciáveis e os partidos se enfraqueceram a ponto de não sustentarem agendas distantes de interesses específicos, corporativistas e menores.

Na movimentação dos caminhoneiros, por exemplo, a solução foi onerar setores, poupando as transportadoras. Na previdência, alivia-se para os militares e categorias elitizadas do serviço público. Não há razão para tudo isso senão o fato de grupos pouco representativos apertarem um governo frágil. Para muitos, a política é isso. Será?

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Avançar na reforma tributária, que há anos é pensada sem evolução expressiva, demanda conciliar a heterogeneidade das percepções, a lógica federativa, o ano eleitoral e as diferentes necessidades da sociedade. Tudo isso demanda coragem para enfrentar a certeza da insatisfação. Não existe mudança sem medo e crítica, bem como não haverá qualquer mudança com lideranças medrosas e abaixo da crítica.

Assim, no campo tributário a mudança razoável agora é impossível. O país não tem gente, clima e capacidade para tanto. Qualquer coisa que venha será inscrita nas mudanças frágeis e repletas de protecionismos e exceções execráveis. Essa é a cara de nossa política hoje, o país perdeu a capacidade de se transformar.

*Humberto Dantas é cientista político, doutor pela USP e pesquisador da FGV-SP

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