Análise: Mais uma vez: a farra das passagens

Legisladores das três esferas de poder no Brasil devem viajar. A grande questão, no entanto, é: quem fiscaliza?

Humberto Dantas *, O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2018 | 03h00

O título não representa novidade em se tratando do exercício parlamentar no Brasil. Uma rápida pesquisa num famoso instrumento de busca pela internet nos remete a mais de 27 mil referências ao termo “farra das passagens”. Nem todos estão ligados ao poder público, mas a imensa maioria está.

Legisladores das três esferas de poder no Brasil devem viajar. Acordos, inovações, missões, cursos, palestras etc. O mundo gira e bons representantes devem estar atualizados. A grande questão, no entanto, é: quem fiscaliza? Quem determina o que é e o que não é relevante? Alguns pontos podem soar subjetivos, mas é exatamente a partir desse instante que devemos nivelar por cima. E isso significa: transparência.

++ Passagem aérea custa até R$ 45 mil para Câmara

Por meio desse princípio elementar seria possível verificar se essas passagens são caras ou estão sendo compradas a preço de mercado. As poucas vezes em que recebi bilhetes aéreos da Câmara para alguma palestra ou evento de interesse do parlamento nacional os preços eram assustadores. Por que são tão caros? Ademais: para que servem as viagens? Parece comum lermos no noticiário que um legislador declarou em terras estrangeiras que o país vive um determinado momento ou passa por certa situação. A notícia, normalmente, está vinculada ao que disse o agente. Mas o que ele estava fazendo lá? Quantos dias ficou? Por que suas diárias costumam ser tão caras? Onde comeu? Onde se hospedou? Os preços eram razoáveis? Quem cotou? Quem escolheu? Quem foi junto? Por quê? A quantidade de perguntas aqui já é preocupante. Respostas são frágeis.

Os relatórios, como o próprio Estado já mostrou, não seguem padrões razoáveis. Em todas as empresas para as quais trabalhei não me lembro de ter passado por prestações de contas suaves das viagens que fiz. Pelo contrário, e com um agravante: aqui falamos do dinheiro público destinado à representação de interesses de servidores contratados pelo nosso voto. Até quando?

* CIENTISTA POLÍTICO DA 4E CONSULTORIA

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