Reprodução/Facebook
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Análise: Lives e tuítes de Bolsonaro seguem padrão de Trump e apostam na polarização

Trata-se de estratégia política deliberada, de passar informações e opiniões apenas para suas bases sem intermediação de instituições

Carlos Eduardo Lins da Silva *, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2020 | 15h23

Desde a campanha de 2018, Jair Bolsonaro deixa claro que seu modelo de comportamento presidencial é Donald Trump.

Ele segue o padrão do ídolo em diversos quesitos, inclusive a maneira de lidar com a imprensa e se comunicar com seus eleitores.

Nos EUA, nesta quarta-feira se completaram 303 dias sem nenhuma entrevista coletiva formal de Trump ou de sua porta-voz.

Trump fala diretamente com jornalistas de forma truncada quando se desloca a pé, como Bolsonaro tem feito quase todos os dias ao sair do Palácio do Alvorada.

Ambos tuítam celeremente. Bolsonaro também faz crescentes lives no Facebook para seus seguidores. 

Trata-se de estratégia política deliberada, de passar informações e opiniões apenas para suas bases sem intermediação de instituições que possam cobrar dele incoerências, omissões, falsidades cometidas em suas falas.

O objetivo é reforçar e energizar os que já o apoiam e apostar na polarização que o ajudou a eleger-se. 

Para a sociedade e para a cidadania, tal prática é muito danosa. A Presidência da República é uma instituição de todos os brasileiros e seu ocupante deve se dirigir respeitosamente a todos eles.

A falta de transparência que deriva dessa linha direta entre o presidente e seus fiéis é um atentado contra a democracia e deve ser rechaçada pelos cidadãos. 

O núcleo de apoio bolsonarista é minoritário. A eleição presidencial no Brasil é vencida por quem tem número maior de votos no eleitorado total (não indireta como nos EUA, onde quem tem menos votos pode ganhar, como Trump em 2016). Por isso, o modelo de Bolsonaro pode vir a não lhe ser tão útil em 2022. 

* É PROFESSOR DO INSPER 

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