Análise: Governo precisa dos 46 votos do PR

Presidente sabe que não pode abrir mão do partido, mas adota posicionamento dúbio

João Domingos, de O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2011 | 23h00

A presidente Dilma Rousseff mede com cuidado os passos que dá no enfrentamento com o PR. De acordo com pessoas ligadas a Dilma, ela sabe que não pode abrir mão do PR, partido que tem 40 votos na Câmara e 6 no Senado.

 

Mas sabe também que não pode se deixar engolir pelo partido, porque seria o grande erro do início de seu governo - um sinal de fraqueza que ela não quer nem pode dar. Por isso, a presidente adotou um posicionamento dúbio quando trata com o partido. Assegura ao PR o direito de manter o Ministério dos Transportes, mas mostra que o partido não é dono da pasta. Antes dele, há a presidente.

 

Quando é indagada sobre o que fará com o PR, Dilma costuma responder: "Nada, o PR tem seu espaço, ficará com ele. Só não pode é comprometer o governo", narram os assessores. Os mesmos auxiliares lembram que Dilma está acostumada a conviver com o PR, um partido complicado, fisiológico, dominado por alas, antropófago até.

 

Os dois lados sabem que têm de tolerar um ao outro, pois vivem num processo de simbiose. Do lado do governo, a justificativa são os votos do PR; do outro, é o Ministério dos Transportes. Ajudam-se, embora briguem. Sem o PR, Dilma poderia ter dificuldades no Congresso; sem o ministério, o PR não chegaria aos 40 deputados e 6 senadores.

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