ANÁLISE: ‘Expurgos’ crescem antes de eleições

É muito provável que os dois fenômenos – ondas de filiações e de expulsões – estejam diretamente relacionados

Daniel Bramatti, Impresso

14 de outubro de 2017 | 18h47

Por mais diferentes que sejam entre si, os partidos se parecem muito quando o que se analisa é a expulsão de filiados. Em praticamente todos, os “expurgos” aumentam significativamente em períodos próximos a eleições municipais, segundo cálculos do Estadão Dados com base em números fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As ondas periódicas de expulsões reforçam uma constatação prévia de que as disputas municipais têm papel preponderante no ciclo eleitoral brasileiro. Reportagem publicada pelo Estado em 2014 já havia revelado que um pico de filiações ocorre no ano anterior ao da eleição para prefeito e vereador.

É muito provável que os dois fenômenos – ondas de filiações e de expulsões – estejam diretamente relacionados. A entrada de novos filiados é promovida por políticos interessados no controle da máquina partidária local. Quem tem mais aliados com “ficha” no partido consegue dominar o diretório municipal, primeiro passo para obter a vaga de candidato a prefeito e para influenciar a formação da chapa dos concorrentes à Câmara.

Quem passa a comandar o diretório também conquista poder para excluir do partido grupos rivais – daí as ondas de expurgos de tempos em tempos.

Por mais localizados que sejam, esses fenômenos acabam tendo influência na política nacional. Partidos que mais ampliam suas listas de filiados têm mais chances de conquistar prefeituras. No poder, os prefeitos se transformam em cabos eleitorais de candidatos a deputado e ajudam suas siglas a obter mais cadeiras em assembleias estaduais e no Congresso. E partidos com mais deputados têm influência maior sobre os Executivos estaduais e o federal.

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