ANÁLISE: Estratégia inusual

Uma articulação discreta garantiu a Alexandre de Moraes a indicação à vaga de Teori Zavascki no STF

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2017 | 05h00

Uma estratégia inusual à sua personalidade garantiu a Alexandre de Moraes a indicação à vaga de Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal (STF): ele articulou com discrição.

Durou pouco, é verdade. Nesta segunda-feira, 6, Moraes rompeu o silêncio que mantinha nas últimas semanas – se abstendo de polêmicas e esperando os adversários ao cargo se queimarem um a um – e foi flagrado por um fotógrafo enviando mensagem à mulher pelo celular confirmando a indicação.

Mas o fato é que, depois de entrar em várias bolas divididas desde que assumiu o Ministério da Justiça, as mais recentes depois de explodir a crise penitenciária, Moraes se recolheu. Passou a implementar o Plano Nacional de Segurança nos bastidores.

Enquanto isso, assistiu à montanha-russa que ceifou nomes como Ives Gandra Martins Filho – outro dos “finalistas” de Temer – e vários ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

Prevaleceu o critério político: Temer não esperava ter uma nomeação para o STF em seu curto mandato. Seria um gesto ousado demais indicar seu ministro da Justiça para relatar a Lava Jato. Mas, ao se eximir de indicar o sucessor de Teori até que a própria Corte resolvesse a vacância da relatoria, o presidente abriu caminho para seu favorito.

A expectativa dos políticos é de que Moraes integre uma maioria a favor da tese de que é preciso separar o joio (enriquecimento pessoal) do trigo (financiamento de campanha) ao tratar dos políticos enrolados na Lava Jato. Não à toa, ele contou com a simpatia dos ministros que têm defendido, aberta ou reservadamente, esse entendimento. 

Resta saber se o magistrado Alexandre de Moraes primará pela discrição do candidato ao STF ou pela eloquência anterior (e posterior). Para um juiz, o mais sensato é se manifestar só nos autos.

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