ANÁLISE: Especulações em ritmo máximo

Michel Temer dá sinais de que poderia punir legendas com a perda de espaços relevantes nos ministérios que ocupam. Será mesmo?

Humberto Dantas*, O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2018 | 05h00

Especulações combinam com o ano eleitoral, sobretudo antes dos prazos de desincompatibilização, filiação definitiva às legendas e convenções partidárias. Sem a clareza trazida por tais instantes, o vale-tudo é máximo. Se recentemente tratamos das improváveis candidaturas de Rodrigo Maia e Henrique Meirelles ao Planalto como possíveis tentativas de seus partidos se valorizarem numa ampla aliança de centro-direita, as notícias sobre a possibilidade de o PR e o PP ofertarem apoio à candidatura de Lula à Presidência podem caminhar nessa mesma direção. Não que tais coligações não possam ocorrer, repetindo passado recente diferente do atual instante político do País, mas essa parece ser mais uma forma de os partidos negociarem.

A novidade, neste caso, está atrelada às ameaças que viriam do Executivo nacional. Michel Temer dá sinais de que poderia punir tais legendas com a perda de espaços relevantes nos ministérios que ocupam. Será mesmo? O presidente deseja liderar a formação da ampla aliança capaz de manter seu “legado” no poder e garantir a permanência da situação no comando do País. Mas como imaginar punições diante do delicado instante da reforma da Previdência? Como esperar algo incisivo de quem mal puniu os infiéis que lhes viraram as costas em processos que pediam seu afastamento?

Por fim: será essa a postura esperada nas relações entre Legislativo e Executivo? O Parlamento brasileiro tem muito poder, enquanto ao Executivo sobram recursos. Essas trocas, sobretudo em ano eleitoral, em realidade desprovida de capital privado e com tempo escasso para a campanha, têm peso imenso.

Seria essa a tônica para a montagem do “tão sonhado” candidato único de centro-direita? Volte para o começo do texto e retome as especulações em torno da busca por um nome. Quem seria? O que caberia a cada partido? Ainda estamos em janeiro, e o jogo das definições vai exigir paciência e habilidade máximas.

*CIENTISTA POLÍTICO DA 4E CONSULTORIA

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