Análise: Enrolação do TSE pode até ajudar o presidente Temer

Cálculo parte da expectativa com melhora da economia a espalhar otimismo em contraste com possibilidade de cassação da chapa

João Domingos, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2017 | 15h04

A decisão tomada pelo TSE na manhã desta terça-feira, 4, de dar mais prazo para as defesas de Dilma Rousseff e Michel Temer e ouvir novas testemunhas na ação que pede a cassação da chapa presidencial vitoriosa em 2014 já era prevista. Portanto, não muda o quadro político imediato. A vida segue seu ritmo, não tão sereno assim, mas segue.

Pelo que se pôde perceber da sessão do TSE que deveria dar início ao julgamento da ação, há divergências sérias a respeito do assunto por parte de alguns ministros. O relator, Herman Benjamin, que deverá pedir a cassação da chapa, atendendo à argumentação de que ela se beneficiou do abuso do poder econômico, parece estar em minoria hoje. Tanto é que ele fez concessões ao plenário, embora toda sua argumentação apontasse para outra direção.

Quem entende como as coisas funcionam no TSE já acredita que uma nova sessão para tratar da cassação da chapa só ocorrerá no início de maio. Há até os que falam que antes do final do ano o TSE não toma qualquer decisão.

Nesse caso, a enrolação pode até ajudar o presidente Michel Temer, desde que a economia comece a voltar ao normal depois da tragédia do governo de Dilma Rousseff.

Do ponto de vista político, não teria sentido tirar Temer da Presidência com inflação baixa, juros em queda, retomada do crescimento econômico e, talvez, o início da criação de empregos.

Não se deve esquecer que o TSE julga de acordo com as provas e documentos, mas que os juízes têm compromisso com a estabilidade política do País.

Uma das saídas poderia ser a separação das contas de campanha da chapa Dilma-Temer, como quer a defesa do presidente.

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