ANÁLISE: É preciso diagnóstico sério e sem paixões, seguido de ação firme

O Brasil está em uma situação muito difícil. Por qualquer lado que se olhe, os problemas são muitos e muito grandes. 

Richard Back*, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2017 | 05h00

Uma análise rápida mostra a política sob suspeita, o Judiciário com suas muitas idiossincrasias, a necessidade absoluta de reformas que permitam uma recuperação econômica, a crise de solução difícil dos Estados. Tudo isso pode ser traduzido para a população com a face que ela mais conhece dos problemas: violência, desemprego, renda menor, falta de oportunidade.

A pergunta sobre o que fazer deve evitar ao máximo respostas fáceis. Não existe receita de bolo para que o País comece a sair do enorme problema que vive. Tampouco atalhos e respostas fáceis para perguntas difíceis ajudam no debate.

Crises desse tamanho, antes de mais nada, requerem diagnóstico sério e sem paixões. E, depois, ação firme, capacidade de comunicação e mobilização da sociedade.

Vivemos problemas no curtíssimo prazo. Temer hoje está sob suspeita, o que termina por inviabilizar por hora as reformas econômicas. A reforma da Previdência, importante para a manutenção da confiança dos investidores no Brasil, é uma tarefa de curtíssimo prazo. Também no curtíssimo prazo é necessário reorganizar a política, que novas lideranças saiam da zona de conforto e assumam posições políticas firmes a favor de reformas. Temos um sem fim de jabuticabas para remover para, talvez em algum momento na próxima década, alcançarmos não o mundo desenvolvido, mas nossos vizinhos mais próximos, como o Chile.

Recuperar a economia e a política inclui renovar as lideranças, mas estas têm de entender o momento histórico que vivemos e ir além do “Fla-Flu’’ que lideranças nacionais e emergentes insistem em alimentar.

A política, definitivamente, não pode ser dirigida desde as redes sociais. O nós e eles, por mais tentador que seja o discurso, tem resultado negativo para o País.

Enfim, precisamos vencer a ordem do dia, que é dar um caminho para o governo e encaminhar as reformas, e preparar no médio prazo algum tipo de ponte para o diálogo nacional. A intolerância política é tão famosa quanto a racial ou religiosa.

Como disse no início desta reflexão, não é adequado tentar encontrar respostas simples para problemas complicados. Geralmente elas são falsas. Precisamos de menos discursos e mais discussão nacional. Sem fazer política, o embrutecimento vence, e nada de bom pode vir daí.

*ANALISTA POLÍTICO DA XP INVESTIMENTOS

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