ANÁLISE: E agora PT?

Atingido pela Operação Cartão Vermelho, o ex-governador Jaques Wagner vinha sendo constantemente lembrado como um possível plano B do partido para as eleições presidenciais no caso de impedimento da candidatura Lula

Marco Antonio Carvalho Teixeira*, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2018 | 22h29

A Operação Cartão Vermelho, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga suspeitas de pagamento de propina durante as obras da Arena Fonte Nova em Salvador, atingiu o ex-governador da Bahia Jaques Wagner, cuja residência foi alvo de mandado de busca apreensão. Ex-ministro durante os governos Lula e Dilma, ex-governador por dois mandatos consecutivos e que acabou vendo eleito Rui Costa, seu ex-secretário de governo, como sucessor, ele vinha sendo constantemente lembrado como um possível plano B do PT para as eleições presidenciais no caso de impedimento da candidatura Lula.

Frente a esse novo imbróglio, um grande desafio pode se colocar para os petistas: caso o Plano B seja inviabilizado após essa operação da PF qual seria a nova alternativa do partido? É importante observar que estrategicamente não seria bom para o PT abrir mão de candidatura presidencial própria. Certamente, o modus operandi das eleições de 2014, os escândalos de corrupção e o processo de impeachment serão temas a serem retomados no debate eleitoral em 2018 pelos adversários do partido. Sem candidato próprio, os petistas não teriam quem fizesse a defesa da legenda, além de perder a oportunidade de reivindicar legados que consideram positivos do período em que estiveram à frente dos governos Lula e Dilma.

Todavia, as opções para um Plano C praticamente inexistem. Por ser um dirigente histórico e de conhecida habilidade política para lidar com as divisões internas ao PT e na construção de alianças com outros agrupamentos partidários, o perfil de Wagner não encontra no momento correspondência dentro do partido. O nome que parece emergir praticamente por força da gravidade para ocupar esse espaço seria o do ex-prefeito Fernando Haddad. Entretanto, o ex-alcaide paulistano não une o partido. A principal vantagem de seu nome seria o de poder ser apresentado como alternativa de renovação numa legenda que perdeu a capacidade de produzir novas lideranças. A principal desvantagem, mesmo sendo alguém da estrita confiança do ex-presidente Lula, é que Haddad tem restrições dentro do próprio PT e que vem de velhos dirigentes do partido que já vetaram seu nome à sucessão estadual e bancaram o de Luiz Marinho.

*Cientista político e professor do Departamento de Gestão Pública da FGV-SP, onde é coordenador do curso de graduação em Administração Pública.

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