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ANÁLISE: Durante o Mundial, Dilma não é o para-raios da Nação

Às vezes, a tentação de chutar uma bola que vem pingando na direção do candidato é irresistível. Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) não pensaram duas vezes antes de emendar a vaia/xingamento contra Dilma Rousseff (PT) na abertura da Copa. Depois, espalmaram as mãos para o alto e disseram que não tinham participado da jogada. Só faltou completarem com um "seu juiz". Fizeram bem ao tentar remendar o bate-pronto.

José Roberto de Toledo, O Estado de S. Paulo

20 Junho 2014 | 02h01

A pesquisa Ibope/CNI não perguntou nada sobre o episódio, mas foi a primeira depois de a bola começar a rolar. E o resultado do levantamento mostra que a Copa está ajudando Dilma. Não o suficiente para a presidente sair da enrascada de popularidade em que se meteu. Mas confirma que ela parou de cair. Motivo: a competição mudou o foco da maioria dos eleitores. As atenções estão voltadas para jogos, treinadores e jogadores.

O Ibope mostra que a percepção de 46% dos eleitores até a Copa começar era de um noticiário muito desfavorável ao governo - um patamar só comparável aos recordes 55% de julho de 2013, no auge dos protestos de rua. Só falavam das greves, das manifestações contra tudo, da corrupção, dos gastos com arenas, do vandalismo, da Petrobrás.

Desde que o jogo bonito começou, o discurso arejou. Há outros temas palpitantes: Paulinho deve sair ou não da seleção? Como Felipão calculou os 10% de evolução do time contra o México? Hulk precisa de massagista, de psicólogo ou de ambos?

Raiva e mau humor podem agora escolher por onde vão escapar. Pode-se zoar a ex-campeã Espanha, tirar onda dos ingleses à beira do abismo, falar mal do penteado do Neymar ou simplesmente xingar o juiz. Enfim, Dilma não é - enquanto a festa durar - o único para-raios da nação.

Mais do que se vitimar com os xingamentos, ela usou a história para atiçar a militância petista. Como Felipão, aplicou um discurso motivacional nos comandados. Ainda é incerto se treinador e presidente terão sucesso em sua pregação. Certo, porém, é que se Felipão não precisa torcer pela presidente, Dilma vai torcer por Felipão.

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