Do muro, PSDB olha para o pós-Temer 

Partido mantém o apoio ao atual presidente enquanto articulam sua sucessão para breve

Alberto Bombig, O Estado de S. Paulo

25 de maio de 2017 | 05h00

Os tucanos fizeram do muro sua plataforma de observação nesta crise. Por conveniência ou ausência de liderança, de cima dele contam os corpos abatidos de um lado (inclusive o de Aécio Neves) e farejam o pós-Temer de outro. Mantêm o apoio ao atual presidente enquanto articulam sua sucessão para breve.

Mais do que isso, o PSDB até já apresentou um candidato para suceder a Temer, o senador Tasso Jereissati. Por isso, dificilmente o partido deixará de apoiar o presidente enquanto ele ainda não se der por vencido. Os tucanos acalentam a esperança de serem eles os escolhidos pela base de apoio de Temer para terminar a travessia da pinguela, como descreveu FHC.

Se vier a se lançar como alternativa de sucessão para uma eventual saída de Temer, o PSDB será instado a tornar explícita qual sua agenda para as reformas e investigações em curso no País.

Depois do inquérito aberto para investigar o senador Aécio Neves (presidente do PSDB até a semana passada), é preciso saber quais são as intenções do partido para com a continuidade da Lava Jato. Serão as reveladas nas conversas interceptadas de Aécio com Joesley Batista, nas quais ele fala abertamente em travar a operação, ou as muitas declarações de Fernando Henrique Cardoso pela continuidade das investigações doa a quem doer?

Caso ainda tente provar que reúne condições morais de conduzir a sucessão de Temer, o PSDB precisará deixar às claras suas posições sobre a Lava Jato, a República de Curitiba e o Ministério Público, ainda que elas desagradem à opinião pública.

Quanto às reformas, os tucanos até agora oscilam. Conforme o placar da Previdência do ‘Estado’, por exemplo, 10 deputados do PSDB se declaram a favor das mudanças nas regras, 11 são contra e 18 estão em cima do muro. Na hipótese de um candidato tucano ser o escolhido pela base governista para uma eleição indireta no Congresso, ele terá de assumir o compromisso de levar adiante as reformas, o que demandaria enquadrar parlamentares “rebeldes”. Não será uma tarefa fácil, pois nunca fez parte do DNA tucano. Em seu longo inverno na oposição durante os anos Lula e Dilma, o PSDB se especializou em dar declarações dúbias, emitir sinais contraditórios e pulverizar sua liderança entre vários “quadros do partido”.

Diante do aprofundamento da crise política e da hipótese de reassumir o Planalto após a Era FHC, o PSDB está novamente na marca do pênalti. A estratégia do muro tende a ser eficaz neste momento de confusão, mas deverá ser insuficiente em termos de compromissos quanto ao futuro.

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