ANÁLISE: Divisão em ‘times’ antecipa decisão no TSE

Preliminares do julgamento da chapa Dilma-Temer mostraram clara divisão do plenário do TSE

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2017 | 23h08

As intermináveis preliminares do julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer mostraram uma clara divisão do plenário do Tribunal Superior Eleitoral em dois times, capitaneados pelo relator, Herman Benjamin, e pelo presidente da corte, Gilmar Mendes, e acabaram por antecipar o placar final: 4 a 3 pela absolvição da presidente cassada e do atual.

Benjamin levou em seu enciclopédico voto vacinas para todas as alegações que, sabia, seriam suscitadas para tentar desidratar o processo ou apontar nulidades em sua condução. Essa, sim, foi uma estratégia de última hora, e não a análise das provas concernentes ao papel da Odebrecht na reeleição de Dilma.

Todos se lembram, e Benjamin foi cristalino ao apontar, da diligência com que Gilmar evitou o arquivamento da ação proposta pelo PSDB contra Dilma. A estratégia do relator foi ser exaustivo na demonstração de que não exorbitou o pedido inicial: leu e releu o escopo da ação, reiterou que não se baseou em delações à Lava Jato, e sim colheu os depoimentos novamente, e lembrou que o plenário referendou todos os passos do processo e confrontou Gilmar com várias declarações e mesmo votos anteriores em sentido oposto ao atual.

O presidente do TSE não se preocupou em demonstrar neutralidade na condução do julgamento, e desde sempre deixou clara sua posição de que a corte deveria ser comedida na análise do caso, sob risco de causar instabilidade ao País.

Também desde logo ficaram claros os alinhamentos a Gilmar, por parte de Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira de Carvalho, ambos nomeados pelo presidente Temer para a Justiça Eleitoral, e Napoleão Nunes Maia Filho.

Luiz Fux, considerado uma incógnita antes do início do julgamento, aos poucos revelou alinhamento ao relator, até mesmo mostrando indignação com as tentativas explícitas de “arrancar” do processo provas graves de fraude eleitoral. Foi seguido de maneira mais branda pela sempre discreta Rosa Weber.

Assim, Benjamin já começou vencido a leitura de seu caudaloso voto. Com o placar previamente conhecido, daqui para frente as duas patotas do TSE apenas vão cumprir seu script predefinido.

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