Análise: Discursos mostram ruralista mais afinada com Dilma

O discurso da ministra da Agricultura, Kátia Abreu, contrário à redistribuição de terras em larga escala no País está mais afinado com as ideias da presidente Dilma Rousseff do que o de Patrus Ananias, empossado ontem na pasta do Desenvolvimento Agrário. Não é difícil perceber isso. Para começar, lembre-se da pouca atenção dada por Dilma à questão da reforma agrária nas campanhas à Presidência da República de 2010 e de 2014.

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2015 | 02h02

O mesmo ocorreu durante o seu primeiro mandato. Deixando de lado a curta e conturbada administração de Fernando Collor de Mello, o governo da petista foi o que menos desapropriou terras para a reforma desde o início da redemocratização, em 1985.

Dilma não acredita que a solução da questão agrária reside na redistribuição de terras. Ela rastreia seu raciocínio sobretudo na observação de que, do total de 9.128 assentamentos criados em 30 anos, numa área total de 88 milhões de hectares, poucos são produtivos. A quase totalidade do conjunto de 1 milhão de famílias assentadas ainda sobrevive com ajuda de programas sociais.

Não foi por acaso que, no governo Dilma, o Incra encolheu, ao mesmo tempo que o Ministério do Desenvolvimento Social ampliou sua presença nos assentamentos. De acordo com essa visão, a tarefa mais imediata seria propiciar às famílias já assentadas condições para saírem da miséria e começarem a produzir.

Isso tem sido dito por Kátia Abreu desde que, em 2008, assumiu pela 1.ª vez a presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Movimentos sociais e a esquerda do PT podem continuar batendo na ministra por muito tempo, mas a verdade é que seu discurso está afinadíssimo com o da presidente.

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