Análise: Desinformação divide eleitorado em dois grupos opostos

Daniel Bramatti*

26 de junho de 2010 | 00h01

 

O eleitorado brasileiro pode ser dividido em dois grupos absolutamente distintos, de acordo com seu grau de informação sobre a campanha: o dos 73% que sabem que Dilma Rousseff é a candidata apoiada por Lula e o dos 27% que ignoram esse fato.

 

No primeiro grupo, a petista tem 51% das intenções de voto, contra 30% para José Serra, segundo a pesquisa CNI/Ibope. No segmento desinformado sobre a opção presidencial de voto, é o tucano quem lidera por larga margem: 50% contra 11% para a petista.

 

Os números, além de enfatizar o papel central de Lula na campanha, indicam que sua importância tende a crescer. Ainda hoje há cidadãos que manifestam preferência por Serra e, ao mesmo tempo, dizem que votarão no candidato apoiado pelo presidente.

 

Com o início do horário eleitoral gratuito e o provável bombardeio de imagens de Lula com sua escolhida, os eleitores com um pé em cada canoa deixarão de turvar o cenário e se definirão – por um lado ou por outro.

 

Não há como prever se esse contingente, ao tomar conhecimento da opção de Lula, passará a se comportar como o restante da população e majoritariamente seguirá sua recomendação de voto. Mas é fato que os bolsões de desinformação, concentrados entre os mais pobres e nas regiões Nordeste e Norte/Centro-Oeste, são um território fértil para o presidente. É nesse eleitorado que o governo é mais bem avaliado e que as manifestações por continuidade da administração são mais eloquentes.

 

Se no presente a queda da desinformação joga a favor de Dilma, o fenômeno pode ter efeito inverso até outubro.

 

Hoje, os eleitores da petista sabem dela pouco mais do que o fato de ela ser representante de Lula na corrida presidencial. Um tropeço forte na campanha pode marcar negativamente sua imagem e corroer seus índices eleitorais, mesmo entre os lulistas.

 

Vem daí a cautela dos petistas com a exposição da candidata, e também a ansiedade de Serra em partir logo para os debates e confrontos diretos de biografias e currículos. Os dois lados sabem que não é desprezível o risco de que Dilma acabe perdendo para si própria.

 

*É JORNALISTA DE ‘O ESTADO DE S. PAULO’

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