Roberto Castro/MTUR
Roberto Castro/MTUR

Análise: Desgaste com ministro do Turismo pode vir por força de ‘lavajatistas’

Marcelo Álvaro Antônio continua no cargo e é defendido por membros do partido, ou seja, uma excelente capacidade de se equilibrar politicamente

Rodrigo Augusto Prando*, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2019 | 05h00

A denúncia do Ministério Público contra o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, representa um novo imbróglio para o governo Bolsonaro. O caso já é conhecido desde fevereiro, quando veio à tona a notícia de um esquema de candidaturas laranjas no PSL mineiro e, à época, Antônio era o presidente do diretório. Até o momento, o ministro continua no cargo e é defendido pelos membros de seu partido, ou seja, uma excelente capacidade de se equilibrar politicamente. 

Há os que, certamente, podem questionar: qual o motivo para Bolsonaro, mesmo tendo construído um discurso de combate à corrupção, manter Antônio em seu núcleo ministerial? A hipótese é de que as relações pessoais entre o presidente e seu ministro suplantam os aspectos racionais da gestão. 

Quando Bolsonaro foi covardemente atacado e esfaqueado, Antônio estava ao seu lado, ajudou a carregá-lo até o carro da PF e com ele ficou no hospital até a chegada dos familiares. Provavelmente, estes gestos tenham sido capazes de estreitar os laços para além da dimensão política. 

Contudo, quer queira ou não, o desgaste acontecerá, seja por ação da oposição ou por força dos “lavajatistas” e “moristas”, que são mais críticos a estes episódios de suposta corrupção do que os bolsonaristas. Por enquanto, não há esse constrangimento no bojo do governo. Veremos se isso perdurará ou se Antônio será lançado aos leões como foram Bebianno e Santos Cruz, por exemplo.

* PROFESSOR E PESQUISADOR DA UNIVERSIDADE MACKENZIE

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