NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Análise: Dependente de seu criador aos 38 anos, PT vive encruzilhada

Diante de tantos problemas, o mais urgente será encontrar um substituto para Lula

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2018 | 23h08

O PT sofreu a mais dura derrota de sua história com a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por unanimidade, pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4). Embora a estratégia política do partido seja a de registrar a candidatura de Lula à Presidência em 15 de agosto, último dia do prazo fixado pela lei eleitoral, na prática os petistas sabem que terão de encontrar um substituto para liderar a chapa.

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O maior receio do PT, porém, é que Lula - até agora favorito em todas as pesquisas - seja preso antes mesmo da eleição. Os votos dos três desembargadores pela condenação do ex-presidente, aumentando a sua pena para 12 anos e 1 mês, tiraram do PT a possibilidade de apresentar mais um recurso judicial, o embargo infringente. O partido vai apelar da decisão do TRF-4, mas não há chance de anulação da sentença.

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Diante de tantos problemas, o mais urgente será encontrar um substituto para Lula. O mais cotado para a tarefa é o ex-governador da Bahia Jaques Wagner, hoje secretário de Desenvolvimento Econômico no Estado, mas ele resiste à ideia. Em conversas reservadas, Wagner já chegou a dizer que não pode perder esta eleição. Citado na delação da OAS, ele teme ficar sem cargo e sem foro privilegiado.

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O petista, porém, é conhecido por nunca dizer “não” a Lula. Com esse diagnóstico, muitos apostam que ele aceitará a missão. Além de Wagner, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad também é citado. Nesse caso, no entanto, a resistência parte de correntes do próprio PT.

Sem Lula, o PT fica muito enfraquecido e a tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária no partido, corre risco de perder espaço. Haddad é da corrente Mensagem ao Partido, criada logo após o escândalo do mensalão, em 2005, para fazer um contraponto a “métodos e práticas” adotados pela sigla. A CNB de Lula e do ex-ministro José Dirceu não quer saber do ex-prefeito e o considera uma espécie de “Dilma Rousseff de calças”.

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A menos de um mês de completar 38 anos, o PT vive agora uma encruzilhada e, dependente de seu criador, tem muitas interrogações no caminho. O discurso da perseguição vai continuar, mas, nos bastidores, a dúvida é se Lula será capaz de ser importante cabo eleitoral para quem for ungido para sucedê-lo. No Legislativo e nos governos estaduais, há receio de encolhimento do PT. Resta agora o apelo para a unidade da esquerda na campanha, mas os petistas não querem apoiar um nome de outro partido.

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