Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Análise: Deltan, de protagonista a espectador?

Há dúvidas quanto à existência e à intensidade do acúmulo de capital político pessoal do procurador após sua saída do comando da força-tarefa da Lava Jato

José Mário Wanderley Gomes *, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2020 | 15h00

Em meio às ações da Operação Lava Jato, que associavam políticos, seus aliados e grandes empresários à suposta prática de corrupção e de outros delitos, algumas autoridades integrantes do sistema de Justiça eram percebidas pelo público em geral como heróis a atuar no combate do aludido mal maior. 

Suas principais figuras eram recebidas e celebradas por destacadas pessoas e relevantes organizações, que então se associavam ao sentimento antipetista. A ampliação de tal sentimento, durante longo período, foi consequência da erosão política petista parcialmente resultante das atividades dos atores “lavajatistas” e foi um dos principais fatores relacionados à vitória eleitoral do então candidato Jair Bolsonaro.

Neste momento, sob processos disciplinares internos e em confronto direto com a Procuradoria-Geral da República, o procurador Deltan Dallagnol deixa o comando do braço curitibano da força-tarefa e se põe “à disposição do Brasil”. Embora tenha sido determinante para o ocaso petista, há dúvidas quanto à existência e à intensidade do acúmulo de capital político pessoal pelo procurador, num cenário em que o governo central fortalece sua autonomia e, sem perder popularidade, descola-se de vários apoios outrora importantes para a sua eleição.

Só o tempo dirá se o que o futuro reserva para o procurador Dallagnol é o protagonismo político ou apenas um lugar de destaque na plateia dos eleitores.

* DOUTOR EM CIÊNCIA POLÍTICA (UFPE) E PROFESSOR NO PPGD DA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO (UNICAP).

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