ANÁLISE: Custo do vacilo tucano pode ser alto

PSDB se vê diante de três grandes desafios às vésperas de sua convenção nacional

Marco Antonio Carvalho Teixeira, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2017 | 23h53

Às vésperas de sua convenção nacional, o PSDB se vê diante de três grandes desafios. Dois aparentemente já superados e o terceiro ainda por ser enfrentado, mas que pode causar um estrago nos esforços de selar uma unidade para a condução da sigla e a disputa eleitoral de 2018. 

O primeiro desafio cuja resolução está bem encaminhada decorre da escolha de Geraldo Alckmin para a presidência nacional do partido. Aceito quase que por consenso, o nome do governador paulista minimizou o risco de a convenção tucana se transformar num espaço de conflagração entre governistas e não governistas como antes já se desenhava. Ao lançar Alckmin como alternativa à guerra já estabelecida em torno dos nomes de Tasso Jereissati e Marconi Perillo, FHC forçou um caminho que teve êxito em diminuir o grau de beligerância entre os dois grupos.

O segundo desafio é decorrência natural da superação do primeiro. A indicação de Alckmin para o comando nacional do partido remove qualquer oposição ao seu nome nas hostes tucanas contra a sua candidatura à Presidência da República, até mesmo do grupo ligado a Aécio Neves. Cabe lembrar que Alckmin se viu em meio a uma guerra silenciosa contra as pretensões presidenciais de seu afilhado político, João Doria, quando este ainda tinha seu nome com chances de se tornar candidato pelo PSDB. Naquele momento, enquanto o núcleo paulista indicava que apoiaria Jereissati, o prefeito de São Paulo defendia a permanência de Aécio no comando do partido e já havia declarado apoio total à candidatura Perillo para o comando da legenda.

O último desafio, e talvez o mais delicado para a convenção nacional, será decidir acerca do desembarque do governo. O PSDB tem decidido não decidir, algo que contribui para reforçar ainda mais a imagem de um partido vacilante quando tem de se posicionar sobre temas complexos. Ministros tucanos já avisam que se a legenda sair do governo eles tendem a permanecer. Caso a ambiguidade se mantenha, a candidatura Alckmin tende a se tornar mais vulnerável ao ataque de adversários e terá dificuldades para ampliar seu arco de alianças. Ao que parece, a máxima de Gilberto Kassab sobre o PSD não ser nem de esquerda nem de direita nem de centro poderá se aplicar de vez aos tucanos caso uma decisão firme acerca dos caminhos a serem seguidos pelo partido não venha a ser tomada. Esse será o custo do vacilo.

*CIENTISTA POLÍTICO DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS DE SÃO PAULO (FGV-SP)

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