Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Análise: Condenação de Azeredo é uma mancha para o PSDB

Decisão impede discurso de que o partido passou incólume pelas investigações de corrupção levadas a cabo pela justiça brasileira

Rodrigo Augusto Prando*, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2018 | 05h00

O ex-governador de Minas Gerais pelo PSDB Eduardo Azeredo já havia sido condenado, em segunda instância, a 20 anos de prisão. Nesta terça-feira, 24, por um placar de 3 x 2, os desembargadores recusaram seus embargos infringentes, mantendo a condenação por peculato e lavagem de dinheiro. Azeredo, assumiu, de certa forma, uma dimensão simbólica: no campo jurídico e na seara política.

Juridicamente, os fatos que levaram às condenações ocorreram nos idos de 1998, ou seja, há 20 anos, portanto, fato inexorável de nossa morosidade judicial, por conta de todas as possibilidades – legais, vale ressaltar – de se recorrer a muitas instâncias, mas, sobretudo, especialmente, pela existência do famigerado “foro privilegiado”. As imagens, vistas na televisão, de Azeredo versão 2008 são bem diferentes do envelhecido Azeredo 2018.

+ 2ª Turma do STF tira de Moro citações a Lula na delação da Odebrecht

O foro privilegiado, que será objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), constitui-se, para muitos, numa afronta ao princípio da igualdade perante às leis, fundamento basilar da democracia e da república. Desta forma, ainda que tardia, as instituições cumpriram, até o momento, seus papéis e, já se aguarda, sua prisão. No campo político, a versão tucana do mensalão terá, possivelmente, em Azeredo o seu primeiro preso. Simbolicamente, é, para o PSDB, uma mancha, impedindo um discurso de ter passado incólume pelas investigações de corrupção levadas a cabo pela justiça brasileira.

+ Bolsonaro e Alckmin empatados em São Paulo, aponta Ibope

No entanto, tal condenação não é, simbolicamente, nem de longe o trauma causado pela condenação e prisão de Lula. Azeredo presidiu o PSDB, é certo; mas Lula presidiu e comanda, ainda, o PT, bem como foi presidente da república e ícone das esquerdas, aqui e alhures. Acrescente-se que, politicamente, a prisão de Azeredo desfalca o discurso de petistas que reclamam de “perseguição política e judicial”, mais ainda quando se leva em conta Aécio Neves tornado réu por decisão do STF e as investigações que podem incomodar a candidatura de Alckmin ao Planalto.

Professor e Pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie, do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas. É bacharel e licenciado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.