ANÁLISE: Capitão desperta atenção de jovens, mas não tem apoio

Jair Bolsonaro é popular no meio militar – e isso é muito diferente de ter prestígio ou de garantir a intenção de voto

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2018 | 05h00

Jair Bolsonaro, deputado e pré-candidato, é popular no meio militar – e isso é muito diferente de ter prestígio ou de garantir a intenção de voto. O capitão, fora dos quartéis há cerca de 30 anos, o tempo de sete mandatos, desperta curiosidade do pessoal jovem e tem significativo apoio entre os quadros de base, os praças, cabos e sargentos. A oficialidade recém-saída das escolas tem outra preocupação, fora da política partidária: as suas designações para os primeiros postos, quase sempre nos pelotões especiais das linhas de fronteira. Vida dura.

O apoio a Bolsonaro na comunidade de segurança está localizado principalmente entre os policiais, militares e civis, que identificam nele um defensor de teses amplas – do endurecimento no caráter das ações de rua à liberação do uso de equipamentos pesados, como determinado tipo de armamento, atualmente permitido apenas para os seletos grupos de operações especiais das Forças Armadas. Claro, tudo isso passa primeiro pela valorização das carreiras profissionais, ponto defendido fortemente pelo candidato. Não há surpresa em que fazendo seu discurso radical para esse público – frequentemente criticado de forma injusta e incorreta –, o capitão Jair receba aplausos, os mais longos de cada solenidade.

Nesse contexto, a Operação Beco sem Saída, articulada por ele em 1987 para explodir bombas de baixo poder nos banheiros da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, na Vila Militar do Rio, e talvez também em determinados quartéis, sempre com o objetivo de chamar atenção para a insatisfação dos oficiais com os baixos salários da época, faz sentido. Não para quem conta, o conjunto de chefes que compõem os três Altos Comandos, todos eles formados sob a regra do veto à atividade política na caserna e focados na qualificação profissional que caracteriza a comunidade militar. Mais do que isso, e acima da inevitável diversidade de pensamento e conceito, para toda a pirâmide de 300 mil homens e mulheres, vale o preceito básico da disciplina.

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