ANÁLISE: Campo petista ainda não tem alternativas

Desde o seu aggiornamento nos anos 1990, o PT jamais concebeu outro caminho que não fosse o eleitoral e um candidato que não fosse Lula

Lincoln Secco*, O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2018 | 05h00

Sob qualquer perspectiva o julgamento de Lula será histórico. Se condenado num processo marcado por inevitável politização, será a primeira vez que um candidato importante é impedido judicialmente de concorrer à Presidência da República no Brasil em eleições diretas. 

Essa é uma situação nova para o PT. Desde o seu aggiornamento nos anos 1990, ele jamais concebeu outro caminho que não fosse o eleitoral e um candidato que não fosse Lula. Ainda não surgiram alternativas reais no campo liderado pelo PT.

Há uma ilusão em se questionar o sistema pelas suas aparições espetaculares e não pela sua essência. Lula foi se ancorando no establishment durante 40 anos e depois de um governo conciliador poderia hoje representar a estabilização das instituições. No entanto, ele aparece como outsider, tanto quanto (guardadas as devidas escalas de importância histórica) o seu antagonista Bolsonaro, frequentador do baixo clero do Parlamento há sete legislaturas.

Com um partido redivivo e a popularidade nas alturas, Lula atuará no palco de 2018 de qualquer maneira. Legalmente aceito, como um fator de forte polarização dentro das regras de um jogo que se tornou incapaz de absorver as lutas ideológicas que dividem a sociedade civil. Se inabilitado, como fator de crise permanente numa batalha judicial dramática e na expectativa de transferir votos a outro candidato.

*HISTORIADOR E PROFESSOR DA USP

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.