Imagem José Roberto de Toledo
Colunista
José Roberto de Toledo
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Análise: Base de eleitores vai enriquecer cadastro de empresa

O que faz o acordo de cooperação técnica do TSE é "enriquecer", de graça, o cadastro da Serasa, com a sua, a minha, a nossa informação cadastral – sem contar a de nossas mães.

José Roberto de Toledo, Colunista do 'Estado'

06 de agosto de 2013 | 22h16

Não é à toa que o meio empresarial refere-se à prática de acrescentar informações a um cadastro como enriquecimento de dados. Dá dinheiro: empresas, organizações e quem mais puder pagar compra essas informações porque elas revelam desde os dados mais básicos de um cidadão até seu padrão de consumo.

Os dados de eleitores interessam à Serasa, primeiro, pela quantidade: nada menos do que 141 milhões de pessoas. Poucas bases são tão vastas e universais. Talvez não haja outra, consolidada e checada pelo uso, com tantos registros confiáveis e ainda não apropriada pelo mercado.

Um dos problemas da manutenção de cadastros é saber se as pessoas que estão ali continuam vivas. O próprio cadastro de eleitores sofre com esse problema. As taxas de abstenção nas eleições são superestimadas porque muitos eleitores não aparecem para votar pelo simples fato de terem morrido, mas continuarem cadastrados.

A vantagem é que a Justiça eleitoral, de tempos em tempos, promove recadastramentos. Quando isso acontece, a base fica "limpa" e mais fidedigna. Uma empresa privada, como a Serasa, não tem o poder de compelir alguém a dizer se continua vivo. Daí outra vantagem de ter acesso a cadastrado do TSE: separar os vivos dos mortos.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.