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Análise: Ataque aos ministros no dia D na Justiça Eleitoral

Presidente salvou o mandato por um voto, mas a guerra seguramente continua

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2017 | 00h15

Com um placar apertado e o risco de que a mudança de um único voto pudesse inverter o resultado, houve na reta final um ataque especulativo – ou golpes baixos – contra os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contrários à cassação do mandato do presidente Michel Temer.

O mais surpreendente foi a investida do vice-procurador eleitoral Nicolao Dino contra Admar Gonzaga: de repente, já no quarto dia de julgamento, ele pediu o impedimento do ministro sob a alegação de que ele teria atuado como advogado na campanha de Dilma Rousseff em 2014. Como o ministro já era considerado voto a favor de Temer, seu impedimento causaria um complicadíssimo empate – ou impasse.

A investida foi rechaçada pelos demais ministros e Admar Gonzaga negou, inclusive, que tenha advogado para Dilma na campanha passada. Mesmo que tivesse, não teria sido o primeiro ministro do TSE a ter participado de campanhas políticas. Aliás, não só do TSE, mas até do Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro Dias Toffoli, que atuou nas campanhas do PT, não se declarou impedido no julgamento do mensalão.

O pedido de Nicolao Dino lembrou um gesto político do seu irmão Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, que desembarcou em Brasília em um avião da FAB com o então vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão, com um documento explosivo que suspendia todo o processo de impeachment de Dilma, já votado pelo plenário. Foi um bafafá, mas deu em nada.

Outro ministro que se viu acuado ontem foi Napoleão Nunes Maia, que fez um discurso indignado contra o que ele chama de “mentiras” da internet e contra citações ligando seu nome à OAS e à JBS, diretamente envolvidas em escândalos. Mas o pior ataque ao ministro foi do próprio filho, que, sem terno e gravata, exigências do tribunal, cruzou correndo o detector de metais e tentou invadir o plenário com um envelope nas mãos. Seria cômico, não fosse trágico.

DUAS CURIOSIDADES

A primeira é que ninguém mais lembrou nos últimos dias que o alvo principal do processo era originalmente Dilma Rousseff e todas as atenções recaíram sobre Temer. A segunda é que ninguém foi às ruas gritar “fora, Temer”. E foi assim que o presidente salvou o mandato por um voto, mas a guerra seguramente continua. 

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