Análise: Ainda há dúvidas sobre queda do jato

O relatório preliminar da investigação da Aeronáutica confirma, até agora, as hipóteses apresentadas por especialistas em acidentes aéreos: a sucessão de falhas que derrubou o PR-AFA, um jato Cessna 560XL com pouco uso, teria sido iniciada por um erro humano - o piloto no comando do voo, Marcos Martins, veterano da aviação comercial, pode ter perdido a orientação espacial e, agindo dentro desse quadro, precipitado a aeronave contra o solo. É possível, claro. Mas é estranho. Dias antes do acidente, Martins e seu copiloto, Geraldo Magela Barbosa, haviam estado com o Cessna em um centro de manutenção no aeroporto de Sorocaba, a 100 km de São Paulo. Revelaram familiaridade com o jato, definido pelo comandante como "uma Ferrari".

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2015 | 02h01

Na manhã de 13 de agosto, o tempo ruim na base aérea do Guarujá levou Martins a abortar o pouso e a arremeter sobre a pista, na reta para a aterrissagem. O contato do momento com o controle de terra foi calmo, como é percebido na gravação. A crise veio depois disso. Talvez pela tentativa de fazer a curva para a retomada da operação fora do "degrau"- a zona de turbulência que separa a baixada litorânea do planalto -, e sofrendo a desorientação, as coisas se complicaram até a tragédia que mudou o rumo das eleições de 2014. O esclarecimento final terá de definir outras dúvidas. Duas delas: 1) Com jato instável, os motores podem ter sido exigidos além do limite e, assim, perdido potência, quando deveriam estar ganhando força? 2) Por que o gravador de voz da cabine de pilotagem estava desligado?

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