Análise: À espera do diálogo, um primeiro grito de insatisfação

Caio Junqueira

O Estado de S. Paulo, O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2014 | 03h00

A reeleição da presidente Dilma Rousseff potencializou nesta semana a principal característica da relação dela com seus aliados durante todo o primeiro mandato: a insatisfação. Foi esse sentimento o ingrediente das derrotas nas votações do Código Florestal, do projeto que redistribui os royalties do petróleo e da PEC do Orçamento Impositivo, bem como nos duros embates sobre a MP dos Portos e a Lei Geral da Copa. Uma insatisfação embasada na falta de diálogo, justamente o que Dilma, reeleita, prometeu buscar.

Mas foi justamente a falta de um sinal claro e concreto de diálogo após o resultado das urnas que fez o Congresso retomar, no debate sobre os conselhos populares, as rebeliões, sua rotina até antes do processo eleitoral. 

Junte-se a isso outros fatores. O primeiro é que os aliados insatisfeitos, em sua maioria, apoiaram a candidatura de Aécio Neves (PSDB) a presidente, ocasião em que delimitaram, nos dias subsequentes ao fim da eleição, o campo político em que estão, de oposição a Dilma. Assim, ao retornar aos seus postos na Câmara e no Senado, apenas foram coerentes com as posturas de oposição na campanha. 

Outro fator é que, com a proximidade do segundo mandato, estão abertas as disputas por espaços na Esplanada e no Congresso, cuja equação final definirá o peso e a relação entre os partidos da coalizão que reelegeu Dilma. Como os interesses pessoais a serem negociados são muito maiores do que os espaços a serem oferecidos, gritar mais alto neste momento é tido como uma estratégia necessária, ainda que sua eficiência possa ser questionável.

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