Análise - Ministério Temer: nem tranquilo, nem favorável

Mesmo antes da aprovação da admissibilidade do processo de impeachment ter se tornado um fato praticamente irreversível após a sua votação na Câmara, Michel Temer já vinha mantendo conversas para a formação de seu provável governo. Excetuando PT, PC do B e PDT, a expectativa é que o governo peemedebista inclua todos os demais partidos que estiveram em aliança com Dilma Rousseff, além dos oposicionistas DEM, PPS e PSDB.

MARCO ANTONIO CARVALHO TEIXEIRA*, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2016 | 08h42

Ou seja, ele vai precisar incluir um número significativo de atores partidários, em busca de espaço governamental, num contexto em que a expectativa da sociedade era de redução do número de ministérios e de que as respectivas pastas fossem lideradas por pessoas com boa reputação e que não tivessem qualquer envolvimento com a Operação Lava Jato.

Todavia, ele vem enfrentando algumas dificuldades no processo de formação de sua coalizão governamental. A primeira refere-se a diminuir o número de ministérios, algo que decorre justamente da quantidade excessiva de aliados que ele precisa acomodar, o que demonstra um dos efeitos nocivos da nossa alta taxa de fragmentação partidária. Ao que parece, Temer ainda não desistiu de reduzir o número de pastas ministeriais, mas a ambição de seus aliados dificulta.

A segunda é alguns nomes de boa reputação que já circularam como indicados terem recusado convites em áreas importantes como Educação e Saúde, enquanto outros apresentam problemas com a Lava Jato. Bom lembrar que mais do que as pedaladas fiscais, o que de fato derrubou o prestígio do governo Dilma, para além da crise econômica, foram os escândalos de corrupção.

É possível que o ainda provável governo Temer aposte, de forma pragmática, que uma rápida melhora da economia possa estancar qualquer crise política. Entretanto, caso a economia não melhore rapidamente e a Lava Jato atinja quadros do governo e do PMDB, seu prestígio social pode ser corroído rapidamente, o que certamente trará reflexos negativos à governabilidade. Cuidar da reputação dos quadros que vão formar o governo, sobretudo após esse turbilhão de escândalos políticos, tornou-se indispensável.

*Doutor em ciência política e vice-coordenador do curso de administração pública da FGV-SP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.