Analfabetismo cai, mas ainda é um desafio complexo

O analfabetismo ainda é um problema sério no mundo, apesar dos avanços importantes em matéria de alfabetização. A Organização para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), aproveitando a ocasião do Dia Mundial da Alfabetização celebrado amanhã, revela que cerca de 4 bilhões de pessoas sabem ler e escrever, mas, em contrapartida, há ainda 875 milhões de pessoas analfabetas - cerca de 20% população mundial - , número que, salvo uma ação de grande envergadura, deverá diminuir pouco até 2010, caindo para 830 milhões.No comunicado que divulgou, a Unesco acrescentou que, "em que pese a redução de certas desigualdades nas últimas décadas", observa-se uma "crescente feminização do analfabetismo". Do total de analfabetos, 580 milhões, ou 66%, são mulheres. Também está havendo um aumento na "concentração geográfica": 17 dos 25 países com índice de analfabetismo superior a 50% encontram-se na África Subsaariana e no Sudeste Asiático.Quanto aos progressos alcançados, a Unesco ressaltou que cerca de quatro em cada cinco adultos estão hoje alfabetizados. Em 1990, eram três em cada quatro; em 1970, dois de cada três. Nesse ritmo, acrescentou, cinco de cada seis adultos estarão alfabetizados em 2010. Mas a "alfabetização para todos continua sendo uma tarefa de magnitude e complexidade impressionantes".A organização informou que, em 1950, 50% dos adultos da metade dos países do mundo eram analfabetos, enquanto que hoje este índice de analfabetismo só ocorre em 25 países, e na maioria deles é inferior a 10%. Ainda segundo a Unesco, por causa do rápido crescimento demográfico, o índice mundial de analfabetismo aumentou regularmente, até atingir, no fim dos anos 80, a 900 milhões de pessoas maiores de 15 anos.A Índia, onde a taxa de alfabetização aumentou 13% entre 1991 e 2001, e Bangladesh, que tem hoje com 65% de alfabetizados contra 30% em 1990, são os países nos quais a ação em favor da alfabetização tem sido mais eficaz.BrasilO Brasil vive situação semelhante ao resto do mundo. Tem conseguido avanços, mas ainda possui grande número de analfabetos. Segundo os indicadores sociais do IBGE, entre 1995 e 1999 a taxa de analfabetismo caiu de 17,1% para 13,3%, mas ainda há cerca de 15,1 milhões de jovens e adultos que não sabem ler. O maior índice está no Nordeste, com 18,4%. No Sul, a taxa cai para 7,1%.Para o presidente Fernando Henrique Cardoso, o País poderá em breve acabar com essa situação. "Nesta década, temos condições de acabar efetivamente com, pelo menos, a exclusão do analfabetismo", declarou, hoje, durante solenidade no Palácio da Alvorada, na qual foi entregue a premiação a 20 alunos, vencedores do concurso de frases sobre educação, promovido anualmente pelo Ministério da Educação.Segurando um cartão igual ao que é distribuído pelo programa Bolsa-Escola, Fernando Henrique afirmou que essa iniciativa deverá atender quase 6 milhões de famílias carentes, mantendo na escola cerca de 11 milhões de crianças - 30% das matrículas no ensino fundamental. "Essa é a revolução silenciosa na educação de que venho falando há algum tempo", discursou. "Talvez devêssemos fazer mais barulho para acordar o Brasil."

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