Anadyr admite que CPI tem mais poderes do que corregedoria

A corregedora-geral da União, Anadyr de Mendonça Rodrigues, reconheceu hoje que uma CPI para apurar irregularidades no governo tem mais poderes do que a corregedoria, criada há cerca de um mês pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. A declaração de Anadyr foi feita durante o seu depoimento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A principal crítica dos senadores referiu-se ao fato de que a Corregedoria Geral da União foi criada pelo presidente apenas para tentar inibir a abertura da CPI da corrupção."Não há possibilidade de criar uma corregedoria com os poderes largos e amplos de uma CPI", admitiu Anadyr, durante seu depoimento de quase quatro horas. E observou que não há superposição entre as tarefas da corregedoria e de uma CPI. "No meu ponto de vista pessoal não há superposição de funções da corregedoria e uma CPI ", disse. Afirmou ainda que recebeu garantias do presidente de que terá o apoio para fazer qualquer investigação.Para Anadyr, as expectativas em torno da criação da corregedoria foram superestimadas. "Houve um equívoco da exata dimensão da corregedoria", observou. "E mesmo que as providências sejam pequenas e tópicas terão repercussão e o órgão não terá servido apenas como propaganda enganosa". E fez um alerta: "A corregedoria é um cheque em branco que pode se transformar em um cheque sem fundos se não forem apresentados resultados."Os parlamentares também criticaram o fato de a atuação da Corregedoria estar restrita à apuração de casos no Executivo. Argumentaram também que a corregedora não teria liberdade total para investigar, uma vez que pode ser demitida do cargo a qualquer momento pelo presidente. "O âmbito de atuação da corregedoria é o Executivo e sua atividade não é apurar e sim permitir que todos os aparelhos já existentes na administração pública façam a apuração", explicou Anadyr, que pretende apresentar nesta quinta-feira um balanço preliminar das atividades da Corregedoria.

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