Anaconda: Justiça ouve testemunhas de acusação

Foram interrogadas nesta terça-feira as três primeiras testemunhas de acusação no processo contra a suposta quadrilha envolvida com corrupção, tráfico de influência e venda de sentenças judiciais. O agente federal Elizon Machado Pacheco disse que foi procurado pelo advogado e delegado federal aposentado Jorge Luiz Bezerra, em Maceió, para que fizesse uma "investigação paralela". O policial contou ter suspeitado da proposta e, por isso, informou seus superiores. Assim, há mais de um ano, teve início a Operação Anaconda.A superoperação da Polícia Federal levou à prisão de nove pessoas, entre elas do suposto líder do bando, o juiz João Carlos da Rocha Mattos, e ao afastamento dos juízes e irmãos Casem e Ali Mazloum e do corregedor da PF em São Paulo, Dirceu Bertin. Os depoimentos de desta terça começaram por volta das 10h30 e só terminaram após as 18h. Todos os réus estavam presentes na sessão realizada às portas fechadas. Mais três policiais serão ouvidos nesta quarta.O primeiro a ser interrogado foi o delegado do Departamento de Inteligência da PF, Élzio Vicente da Silva, subscritor dos relatórios da investigação. "As palavras mais utilizadas por ele foram salvo engano, supostamente, já consta do relatório, não me recordo e foi o doutor Emmanuel quem fez", contou o criminalista Adriano Salles Vanni, que coordena a defesa do juiz Casem Mazloum. O delegado federal Emmanuel Henrique Balduíno de Oliveira ? citado por Élzio ? ia ser ouvido pela relatora do caso, desembargadora Therezinha Cazerta, mas seu depoimento foi dispensado pelo Ministério Público Federal (MPF). O segundo a ser ouvido foi Elizon, que falou sobre a proposta de Bezerra ? que está preso e foi levado ao TRF numa ambulância. Para realizar a investigação paralela, o policial teria de viajar e as despesas seriam pagas pelo advogado. Ele diz ter suspeitado e comunicado a proposta ? o que motivou a escuta telefônica contra Bezerra, o primeiro passo da Anaconda.O agente José Ricardo Santana Mingozzi foi o último a ser ouvido e disse que soube dos detalhes da Anaconda pelos jornais. Nesta terça, o MPF ofereceu denúncia contra o empresário Ari Natalino da Silva por sonegação fiscal de R$ 400 milhões. Ele cumpre prisão domiciliar e é acusado de ser um dos beneficiados pela quadrilha apontada pela Anaconda.

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