Anaconda: Ali Mazloum entra com pedido de habeas corpus

O criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira entrou nesta quarta-feira com um pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STF) para tentar trancar a ação penal movida pela Operação Anaconda contra o juiz federal Ali Mazloum. Ele alega falta de justa causa e ausência de provas contra o magistrado, acusado de integrar uma suposta quadrilha de venda de sentenças judiciais. O relator do caso será o ministro José Arnaldo da Fonseca, da 5.ª Turma.De acordo com a defesa de Ali, a "imputação de uma quadrilha para atuar junto à Justiça Federal de São Paulo baseou-se, única e exclusivamente, na transcrição de inúmeras gravações telefônicasefetuadas". Não houve, sustentou o advogado, uma investigação posterior. Dos 12 acusados de integrar o suposto esquema, apenas três não estão pesos, entre eles Ali, seu irmão e também juiz federal Casem Mazloum e o ex-corregedor da Polícia Federal de São Paulo Dirceu Bertin.Nesta quarta, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região concluiu os interrogatórios com as testemunhas de acusação no caso Anaconda. A defesa dos réus quer usar esses depoimentos para questionar a investigação. Pela manhã, o agente da Polícia Federal Antônio Pereira da Solidade Júnior, um dos responsáveis pelas escutas telefônicas da operação, se recusou a responder a algumas perguntas dos advogados dos réus, alegando que o processo é sigiloso. A postura causou indignação dos criminalistas, principalmente pelo fato de a relatora do processo no TRF, a desembargadora Therezinha Cazerta, não ter repreendido a testemunha. Outras duas testemunhas ouvidas - agentes responsáveis pela investigação de campo - disseram não ter visto Casem e o juiz Ali Mazloum ao lado de outros membros da suposta quadrilha.A defesa de oito dos nove acusados presos também pediu, nesta quarta, a revogação de suas prisões. O advogado de Casem enviou ainda um ofício ao Líbano e ao Afeganistão para tentar provar que seu cliente não tem dinheiro nesses países. Presa em Brasília, a ex-autora fiscal Norma Regina Cunha, ex-mulher de Rocha Mattos e uma das acusadas, vai ficar em São Paulo até sexta-feira para receber visitas. Durante os depoimentos, ela passou mal e precisou de atendimento médico.

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