Anac se isenta de culpa em crise e mostra confiança na FAB

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgou uma nota na noite desta quarta-feira manifestando "confiança irrestrita nos preceitos basilares da Força Aérea Brasileira (FAB)" após a crise aérea da última semana, quando controladores de vôo iniciaram uma greve em Brasília e paralisaram todos os aeroportos do País. No documento, a agência diz que não compete à Anac a solução dos problemas ocorridos durante "o motim" dos controladores, não apontando quais são estes problemas e nem possíveis soluções. Eis a íntegra do documento: A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Aviação Civil, diante dos últimos acontecimentos envolvendo os controladores de vôo, vem a público externar que:1) O Brasil abriga um dos cinco maiores sistemas de aviação civil do mundo. Como nação continental, temos na aviação civil um dos mais importantes instrumentos de promoção do desenvolvimento socioeconômico e da integração nacional. 2) Desde o vôo pioneiro de Santos Dumont, há um século, o Brasil se projetou no cenário mundial pela sua vocação de conquistar os céus. O país sempre mobilizou imensos recursos humanos e materiais, no sentido de desenvolver uma poderosa infra-estrutura de transporte aéreo capaz de integrar os mais longínquos pontos do nosso território. 3) O sistema de aviação civil brasileiro abriga uma complexa rede de serviços necessários para movimentar com eficiência, agilidade e segurança milhares de aeronaves que, diariamente, cruzam nos nossos céus. No cenário internacional o Brasil sempre foi respeitado pela sua eficiência e confiabilidade na condução do controle do espaço aéreo e da segurança de vôo. 3) Este reconhecimento por parte, tanto da Organização da Aviação Civil Internacional, quanto das agências reguladoras dos países mais desenvolvidos, resultou de um persistente e meticuloso trabalho conduzido ao longo de seis décadas. Foi fruto, portanto, de elevado grau de capacitação, envolvendo militares e civis, com o pensamento voltado para o bem comum e o desenvolvimento do país. 4) Em reconhecimento a todo este legado - independente de não competir à Agência Nacional de Aviação Civil a solução dos problemas ocorridos em decorrência do motim dos controladores de vôo - externamos a confiança irrestrita nos preceitos basilares da Força Aérea Brasileira, que forjaram homens de incontestável profissionalismo e abnegação. 5) Somente assim, os cidadãos brasileiros, especialmente os usuários do sistema da aviação civil, terão salvaguardado seu direito constitucional de ir e vir. Temos, portanto, irrestrita confiança na capacidade da nação em superar este difícil momento e preservar a confiança e credibilidade da nossa aviação no panorama mundial".Entenda o caos da última sextaNa última sexta-feira, os controladores de vôo entraram em greve e pararam os aeroportos do País por pelo menos cinco horas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava em viagem a Washington e nomeou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para negociar com os grevistas. Além de nomear um civil para administrar o caos, Lula proibiu o Comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, de prender os controladores, o que desencadeou uma crise por quebra na hierarquia militar. Não demorou muito para o presidente recuar. Pressionado pelos militares, Lula desfez a promessa de abrir negociação salarial com os controladores e rever eventuais punições. O comando também voltou para a Aeronáutica.O presidente ainda endureceu o tom: se pararem novamente, os controladores receberão voz de prisão e os sargentos da Defesa Aérea assumirão seus postos no controle dos aviões. Acuados, os controladores já avisaram que não haverá paralisação na Semana Santa, mas ameaçam aumentar a temperatura do caos aéreo após a Páscoa. Sobre as punições, o motim da última sexta-feira resultou em pelo menos três Inquéritos Policiais Militares (IPMs), abertos pelo Comando da Aeronáutica em Brasília, Curitiba e Recife. Um quarto IPM poderá ser instaurado ainda no Recife.

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