Alex Silva/AE
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Ana Luiza, do PSTU, defende calote na dívida com a União

Candidata propõe que os R$ 48 bi sejam investidos na saúde e em creches

Guilherme Waltenberg, de O Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2012 | 17h56

A candidata do PSTU à Prefeitura de São Paulo, Ana Luiza Figueiredo, defendeu nesta terça-feira, 21, um calote na dívida do município com a União, hoje na faixa dos R$ 48 bilhões. Ela afirma que, caso eleita, se recusaria a pagar as parcelas anuais de cerca de R$ 4 bilhões até "zerar o déficit de creches na cidade". "Defendemos que não se pague a União e que se invista (esse valor) na saúde e creches", pregou a candidata durante a série Entrevistas Estadão.

A série Entrevistas Estadão já teve a participação dos candidatos Paulinho da Força (PDT), Carlos Giannazi (PSOL) e Levy Fidelix (PRTB). O próximo entrevistado será Miguel Manso (PPL), nesta quarta-feira (22).

A questão da dívida vem sendo mencionada por diversos candidatos neste pleito. O problema se estende desde a administração de Celso Pitta (1997-2001). Em 2000 a União assumiu a dívida de São Paulo e estabeleceu o indexador IGP-DI + 6% para os pagamentos. Em 2002, na administração de Marta Suplicy (PT), o indexador mudou porque a Prefeitura não fez a amortização de R$ 3 bilhões, no final do ano. Na ocasião, o saldo devido era de R$ 10,5 bilhões. O não pagamento elevou o indexador de correção do saldo devedor para IGP-DI + 9%. O novo porcentual incidiu retroativamente e causou o crescimento de quase R$ 17 bilhões na dívida. Caso a parcela tivesse sido paga, a dívida seria de R$ 31 bilhões.

 

 

Na entrevista de segunda-feira, 20, o candidato do PDT, Paulinho da Força, afirmou que sua boa interlocução com a presidente Dilma Rousseff facilitaria tentativas de renegociação. Na semana passada, Carlos Giannazi também pregou a necessidade de renegociar os indexadores. Para Ana Luiza, no entanto, essa dívida "não é legítima", o que justificaria o calote.

A candidata do PSTU, que foi uma das fundadoras do PT e da CUT, na década de 80, criticou a política do governo da presidente Dilma Rousseff com a classe trabalhadora. Na sua avaliação, várias categorias de trabalhadores federais de todo o País estão em greve por conta da política "de arrocho salarial" da atual administração federal. "Dilma está tendo uma política de congelar os salários. Não só não negocia, como também criminaliza os movimentos grevistas, então, o PT está se divorciando de sua história", acusou.

Ana Luiza também criticou as alianças do PT, argumentando que o PT se corrompeu e se tornou "refém de seus financiadores". "O PT se fez com essas alianças e virou refém. Poderiam ter feito alianças com os trabalhadores, na nossa opinião (a sigla) se corrompeu. Deixam de ser representantes dos trabalhadores para serem representantes de si mesmos", atacou.

Ana Luiza defende, ao invés de uma política de coalizão com outros partidos, a mobilização dos trabalhadores para mudanças sociais. "Trabalhadores com sua mobilização mudam as leis. Já derrubaram a ditadura e um presidente (Fernando Collor de Mello, em 1992)", constatou. E alega que a ausência de representantes do PSTU no Congresso se justifica porque, em sua opinião, o parlamento é uma instituição distorcida. "Consideramos que existe uma forma de representação (no País) que é a Câmara, o Congresso, (que) a nosso ver, (são) distorcidos. A nosso ver, os sindicatos, associações, elas representam o povo", pregou.

Entre as propostas da candidata, caso eleita, estão a estatização dos transportes na cidade de São Paulo e a redução no valor da passagem para R$ 1. Além disso, ela pregou o investimento de 31% do PIB na educação e investimento maciço em creches e saúde.

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