Ana Júlia herda obrigação de demitir 15 mil temporários

A governadora recém-empossada do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), enfrenta um problema já nos primeiros dias no cargo: a demissão, determinada pela Justiça do Trabalho no ano passado, de pelo menos 15 mil servidores temporários, além da imediata realização de concurso para suprir as vagas dos que saírem, como forma de evitar a paralisação da máquina estadual.A solução para o Estado é tentar negociar com a Justiça a permanência dos temporários até o final de dezembro. Ao longo de 2007, eles seriam dispensados à medida que os concursados fossem admitidos.As demissões deveriam ter sido assinadas pelo ex-governador Simão Jatene (PSDB), que dispensou pouco mais de seis mil dos 22 mil temporários. Hoje, isso acabou caindo no colo de Ana Júlia como uma bomba de efeito retardado. Para agravar a situação, um acordo judicial firmado com o Ministério Público do Trabalho prevê a saída dos temporários com menos de dez anos no serviço público até 30 de março, o que representa cerca de cinco mil demissões. "O nosso problema é que os concursos anteriores feitos pelo ex-governador não foram suficientes para o preenchimento das vagas que serão abertas com as demissões", explica a governadora do Pará. A realização de novos concursos, segundo Ana Júlia, deverá provocar impacto na folha de pagamento, influenciando diretamente na negociação salarial com os servidores efetivos. E a economia de despesas prevista com a demissão de metade dos ocupantes de cargos de assessorias especiais - conhecidos como DAS -, já decidida pela governadora, está fadada a não se concretizar, em razão do problema dos temporários.

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