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Ana Julia diz que Pará cumpre reintegrações

A governadora Ana Julia Carepa (PT), do Pará, rebateu ontem as acusações, feito pelo Judiciário e o Ministério Público, de que o Estado não estaria cumprindo ordens judiciais de reintegração de posse na zona rural. "Quando assumi o governo, em 2007, existiam mais de 173 mandados de reintegração parados", disse ela ao Estado. "Hoje não chegam a 100. A lei no Pará vale para todos, mas é cumprida de forma responsável: não basta desalojar as pessoas de uma propriedade e jogá-las na estrada, porque elas voltam." A governadora também criticou imprecisões nos mandados judiciais e disse que a paz no campo só será obtida com um olhar global e não apenas voltado para as invasões de terras. Contou que um dos mandados judiciais de reintegração encaminhados ao Executivo localizava a fazenda invadida na área de um município, enquanto os documentos apontavam que estava em outro. Em outros dois casos, constatou-se que a reintegração estava sendo pedida para pessoas com títulos falsos."O Estado do Pará tem sido marcado pela violência", lembrou Ana Julia. "Nós estamos trabalhando para mudar isso. Mas para isso temos que discutir tudo: invasões, grilagens, violações das leis ambientais."A governadora disse que seu governo encaminhou à Justiça mais de 50 pedidos de anulação de títulos falsos de propriedade rural, mas até agora só obteve resposta para seis deles: "A lei não pode valer só para alguns. Tem que valer para todos."Conforme levantamento divulgado na quarta-feira pelo Estado, no Pará existem 111 mandados de reintegração de posse não cumpridos. De acordo com o secretário estadual de Segurança Pública, Geraldo Araújo, isso ocorre por falta de recursos para colocar a PM em campo.A governadora nega. Na entrevista ao Estado, ela insistiu que é preciso mobilizar assistentes sociais, agentes da saúde de outros órgãos do governo antes de despejar famílias. Além disso, é preciso esgotar todos os recursos legais. "Há poucos dias, a juíza titular da Vara Agrária de Marabá suspendeu as ordens de reintegração de posse de fazendas da Agropecuária Santa Bárbara, do Grupo Opportunity, dadas por uma juíza substituta, alegando que o processo não havia sido encaminhado de forma correta."O Pará tem sido, historicamente, o Estado com os maiores índices de violência e conflitos agrários. Foi lá que ocorreram, entre outros episódios, o chamado massacre de Eldorado dos Carajás, que resultou na morte de 19 trabalhadores sem-terra, em 1997. Foi também lá que ocorreu o assassinato da religiosa americana Dorothy Stang, em 2005.

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