Ana Júlia assume no Pará e promete governar para os pobres

Primeira mulher a governar o Pará, Ana Júlia Carepa (PT) assumiu o cargo em meio a uma festa popular, prometendo fazer uma administração "transparente" e voltada para a população pobre. Ela disse que o crescimento, com a distribuição de riqueza, será uma "tarefa constante" de seu mandato. Hoje, os 10% mais ricos do Estado absorvem 58% da riqueza produzida. O primeiro ano de governo, segundo Ana Júlia, será de austeridade fiscal e de cortes de despesas. Um de seus primeiros atos será negociar com a Justiça do Trabalho a permanência de sete mil servidores temporários, ameaçados de demissão. A saída deles, a maioria ligada às áreas de educação e segurança pública, deveria ter ocorrido ainda na gestão de Simão Jatene (PSDB), antecessor de Ana Júlia. "Não podemos paralisar as atividades dessas áreas, porque seria o caos", justificou a governadora. Ela também mandou um duro recado aos que devastam as florestas paraenses, dizendo que não transigirá com a exploração ilegal e com o trabalho escravo. A parceria com o governo federal, disse Ana Júlia, será muito importante para levar adiante seu projeto de mudança em favor dos pobres. "Vou ter o presidente Lula ao meu lado. Ele também está comprometido com esse objetivo", resumiu a governadora. Trajetória política Assim como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a petista Ana Júlia Carepa toma posse como governadora do Pará buscando uma aliança ampla de partidos, fundamentada sobretudo no apoio do PMDB. A vitória de Ana Júlia no segundo turno da eleição paraense teve o apoio decisivo do PMDB, retribuído agora com uma participação significativa do partido no governo. Em nome do pragmatismo da governabilidade, Ana Júlia abriu espaço ao ex-rival Jader Barbalho, comandante do PMDB no Pará, que indicará alguns secretários, entre eles o de Obras Públicas, dono de parcela importante das verbas estaduais. Ana Júlia garante que todas as secretarias estarão alinhadas a um programa claro de governo e, principalmente, às ações do governo federal. A nova governadora quer se valer do bom relacionamento com Lula para contrastar o seu mandato com o dos tucanos que a antecederam. Para marcar diferença, Ana Júlia anunciou a extinção de sete secretarias especiais criadas pelo governo tucano e a redução em até 40% das assessorias especiais existentes. com Reuters

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